Justiça derruba o descarado decreto de calamidade de Denarium e Sampaio

A contraditória gestão do governo na pandemia, onde os maiores destaques foram o escândalo dos respiradores, o dinheiro na cueca de Chico e a falta de investimento no HGR onde morreram mais de 2 mil pessoas

Justiça derruba o descarado decreto de calamidade de Denarium e Sampaio
Governador Antonio Denarium e Soldado Sampaio – Foto: Reprodução

Vitória da população

A Justiça derrubou o descarado estado de calamidade pública por Covid-19 de Denarium. Mas isso é uma vitória da população. Pois quem deu entrada no processo foi uma pessoa comum, o advogado Jorge Mário. Ele sim representa as pessoas que se sentiram roubadas com essa atitude do governo e dos deputados estaduais. Que inclusive, além de não fiscalizarem, não prestarem conta com a população, ainda aprovaram a renovação desse decreto, mesmo sem pandemia. Além disso, se colocaram contra a imprensa que deu a devida publicidade aos trâmites da continuidade do decreto. A deputada Ângela Àguida chegou até a dizer que a população estava desinformada. Por outro lado, a assessoria de Denarium carimbou fake news na matéria do Roraima em Tempo, em uma tentativa de descredibilizar a imprensa. E assim continuar com as facilidades em contratações sem licitação.

Escândalos

Só para a população não esquecer, aqui vai a lista de escândalos de desvios de dinheiro da Covid, graças às facilidades que esse decreto trazia para Denarium e os políticos que o apoiam: Operação Desvid-19 (que a PF flagrou Chico Rodrigues com dinheiro lá naquele lugar); Operação Vírion e o Escândalo dos Respiradores. E também para não esquecer: a despreparada assessoria do governador também tascou um carimbo de fake news na denúncia da compra superfaturada dos respiradores, feita pelo jornalista da 93 FM, Bruno Perez.

Outra ação

Já que os deputados de Roraima e o Ministério Público não agem nem reagem, o advogado Jorge Mário também tomou a iniciativa de pedir ao MP para investigar a lisura das transferências milionárias de dinheiro extra do governo para a Assembleia Legislativa. Ele disse que, devido ao dito decreto de calamidade, o senhor governador não poderia ter enviado recursos extras para nenhum dos poderes. Assim, ele infringiu o artigo 18 da constituição estadual. Pois esse dinheiro deveria ter sido investido na saúde. O que o advogado falou faz muito sentido. Vejamos. No período em que o governador mandou esses repasses para o Soldado Sampaio, choviam denúncias de falta de remédios, de médicos, bem como de insumos nas unidades de Covid do governo. Principalmente no HGR, onde morreram mais de 2 mil pessoas. Se Denarium priorizasse a saúde em vez de priorizar os deputados, poderia ter sido diferente.

E os deputados?

O que os deputados vão fazer depois dessa vergonha? Qual será a desculpa dessa vez? A população, a Justiça, enfim, todos são contra o decreto de calamidade. E os deputados, que também deveriam ser, não só foram a favor, como fizeram parte de tudo. E eles continuam em silêncio. Não tiveram a decência de dar uma resposta para a população. Só abriram a boca sobre o assunto no dia da votação do projeto, mas para defender o pedido de Denarium e para atacarem a imprensa.

Preocupante

O caso do presidente da Câmara de Boa Vista, que pode estar envolvido com o tráfico de drogas, é no mínimo preocupante. Antes de mais nada, Genilson Costa é chefe de um poder. Caso as suspeitas se confirmem, será mais um parlamentar a manchar a história da política de Roraima. Ele, que começou a vida pública em Alto Alegre como vereador, resolveu se mudar para Boa Vista. E aqui a população o elegeu por duas vezes. Mas na segunda vez, com o apoio de Jalser Renier e do governador Antonio Denarium ele virou presidente da Câmara.

Manobra 1

Para quem não lembra, Genilson conseguiu a presidência da Casa por meio de uma manobra suja e rasteira. Ele, juntamente com Denarium e Jalser reuniram os velhos e os novos vereadores eleitos em parque aquático afastado da cidade. Lá fizeram uma espécie de retiro durante vários dias até decidirem eleger Genilson. Só não se sabe quem fomentou a estadia dos nobres parlamentares no local. Provavelmente o dinheiro público.

Manobra 2

Para se manter na presidência, Genilson alterou a resolução que trata da eleição da Mesa Diretora. Antes, o pleito para o segundo biênio da legislatura ocorria no final do primeiro biênio. Agora pode ocorrer em qualquer momento dos dois primeiros anos de mandato. Sendo assim, os vereadores foram surpreendidos com um requerimento para nova eleição. E no dia seguinte, menos de 24h depois, Genilson convocou sessão e a atual mesa diretora foi reconduzida antes mesmo de acabar o primeiro ano de legislatura. A pressa de Genilson, conforme fontes, é porque ele imaginou que Denarium pode perder as eleições deste ano devido a péssima avaliação popular. Dessa forma, epe ficaria sem força política para a reeleição para a presidência da Câmara. Outro fator é que ele também já previu que Jalser poderia ser cassado (como foi), o que agravaria ainda mais sua situação. Dizem que Denarium foi quem o orientou.

Perguntas:

  • Como Denarium vai fazer para se promover neste ano de eleições sem a prerrogativa do decreto de calamidade?
  • Por que os deputados não se manifestaram sobre a decisão da Justiça? Eles não acham que a população merece pelo menos uma explicação?

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