Roraima segue nas manchetes internacionais

A crise do atendimento em saúde aos Yanomami deve ganhar novos desdobramentos com as investigações da Polícia Federal

Roraima segue nas manchetes internacionais
Criança indígena Yanomami- Foto: Divulgação/Júnior Yanomami

Mais de 500 vítimas

A situação dos indígenas Yanomami em Roraima segue em destaque nos noticiários nacionais e internacionais. Além das primeiras medidas emergenciais, o destaque vai para a fala do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino. Ele determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar quem são os responsáveis pela trágica situação que se abateu sob os Yanomami de Roraima, nos últimos quatro anos, quando mais de 500 Yanomami morreram.

Omissão de agentes públicos

Ao comentar novamente a situação dos indígenas Yanomami de Roraima, o ministro Flávio Dino reforçou que há fortes indícios de uma “possível intenção de causar lesão grave à integridade ou mesmo provocar a extinção do referido grupo originário”. Ele usou exemplos como a ausência de resposta aos vários pedidos de socorro feito por organizações indígenas e órgãos públicos e o incentivo ao garimpo ilegal em terra indígena. Segundo o ministro, a investigação deve comprovar se houve omissão por parte de agentes públicos em todos os níveis.

Já sabem a resposta

Não há dúvidas sobre a omissão. Desde 2021, órgãos públicos como o Ministério Público Federal, vem chamando a atenção para o desmonte da saúde indígena e os impactos disso na vida dos Yanomami, especialmente. Não houve manifestação de praticamente nenhum político de Roraima. O silêncio e a ausência se manteve durante a vinda do presidente Lula (PT) a Roraima.

E o Governo do Estado?

Depois da repercussão dada às falas do ministro Flávio Dino, estranhamente, o Governo do Estado que até então não havia se posicionado e nem feito nenhum destaque sobre a visita do presidente Lula, publicou uma nota respondendo a acusações de omissão. Listou as ações que fez em favor das populações indígenas do Estado. A maioria não chega aos Yanomami. Lá nas aldeias isoladas, o que chegou foram os efeitos do garimpo ilegal.

Denarium finge que não é com ele

A nota é institucional. Ou seja, representa o Governo do Estado. Já o governador, enquanto autoridade e pessoa, segue em silêncio sobre o assunto. Claro que ele não pode ser cobrado pela assistência à saúde dos Yanomami. Não é uma competência que cabe ao governador. Porém, Antonio Denarium carrega a responsabilidade de aprovar leis inconstitucionais que tiveram como efeito o aumento do garimpo ilegal em terras indígenas. No caso das Terras Yanomami, os impactos são ainda mais graves como os mostrados ano passado em vários vídeos denunciando o conflito armado com garimpeiros. Neste caso, portanto, a ação de Denarium teve um efeito negativo em relação aos Yanomami.

Comando político

Quem também decidiu se manifestar depois das falas de Flávio Dino, foi o senador Mecias de Jesus (Republicanos). Para bom entendedor, sua postura foi tentar desviar o foco da responsabilidade que ele e seu filho, o deputado federal Jhonatan de Jesus carregam nessa história. Nos últimos anos, quando a situação dos Yanomami se agravou, o comando político do Dsei Yanomami foi do clã Pereira de Jesus. Mecias e Jhonatan indicaram os três últimos coordenadores do Distrito. Incluindo o ex-vereador Ramsés Almeida, que é filiado ao Republicanos e foi alvo da operação da PF que confirmou crimes praticados no Dsei Yanomami, incluindo a compra de medicamentos que nunca foram entregues. Em nenhum momento Mecias ou Jhonatan se posicionaram.

Precisa organizar

A questão é bem mais complexa do que se imagina. A maior parte da população local apoia o garimpo. Mas, a atividade mineradora precisa, de forma urgente, ser regulamentada. Da forma como é feita hoje, só existe prejuízo. Os trabalhadores estão expostos a risco, à violência e à exploração de mão de obra. O Estado não arrecada e perde dinheiro. E todos sofrem, ou vão sofrer, os efeitos da degradação ambiental. A mineração é uma atividade promissora no Estado e importante para a economia e desenvolvimento do país. E pode ser uma importante fonte de renda para muita gente. Porém, é preciso organizar para que a mineração seja uma atividade feita de forma séria e responsável. E não condenando à morte indígenas e futuras gerações de não-indígenas.

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