O Estadão, portal de repercussão nacional, publicou uma reportagem que coloca Roraima no centro de mais um escândalo. Em Iracema, recursos públicos destinados à construção de 300 casas populares viraram mato alto, abandono e uma única casa vazia às margens da BR-174.
Segundo revelou o Estadão, milhões de reais em “emendas pix” enviadas pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos) foram direcionados ao município com a justificativa de moradia popular e infraestrutura. Passado o prazo prometido, o resultado é praticamente zero. Nenhuma fundação, nenhum canteiro de obras, nenhuma família beneficiada. Procurado pela reportagem, o parlamentar disse que “a execução é de responsabilidade exclusiva da prefeitura”.
A Prefeitura de Iracema disse que os recursos foram usados apenas para projetos técnicos, etapa considerada “indispensável” para uma futura execução. O problema é que o futuro nunca chega. Não há novo cronograma, não há explicação convincente e não há prestação de contas detalhada, mesmo com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e cobranças de órgãos de controle exigindo transparência.
A reportagem do Estadão também mostra que Iracema virou destino recorrente de verbas federais que não se materializam em obras, enquanto projetos são rejeitados por ministérios por falta de informações básicas. Com isso, o padrão se repete: o dinheiro entra, benefício não aparece e a população fica com a promessa.
No campo da política, o caso ganha contornos ainda mais graves ao se misturar com investigações da Polícia Federal envolvendo o grupo que comandou o município por anos. É que o ex-prefeito Jairo Ribeiro é investigado por fraudes durante as eleições de 2024 e por desvios de recursos. Ao final de dois mandatos, ele trabalhou para eleger uma ex-secretária de sua gestão, a correligionária Marlene Saraiva (Republicanos). O Estadão revelou que, segundo populares e representantes da classe política local, a mulher tem atuação discreta e, na prática, Jairo continua dando as cartas na cidade.
Ainda de acordo com a reportagem, investigação de fraudes eleitorais contra o grupo do aliado de Mecias de Jesus aponta para compra de votos e aumento artificial do número de eleitores em um dos maiores distritos do município. Os depoimentos colhidos pela PF apontam para compra de votos por meio de empresas ligadas a Ribeiro e de firmas contratadas pela Prefeitura de Iracema.
O senador Mecias de Jesus disse, por meio de nota ao Estadão, que “a indicação do recurso não se confunde com a execução da obra e que a execução da obra”. “O parlamentar destina; o município executa e presta contas”, frisou.
Também ao portal, Ribeiro afirmou que sua prisão “não teve nada a ver com emendas” e a investigação ainda está em andamento.


