Tal pai, tal filho: escândalos recorrentes de corrupção e um alinhamento entre Mecias e Jhonatan pelo poder

‘Praga do Egito’, Master, INSS, TCU, morte de indígenas Yanomami e muitos outros casos que mostram do que a dupla política de Roraima é capaz para se manter no poder e enganar o povo

Tal pai, tal filho: escândalos recorrentes de corrupção e um alinhamento entre Mecias e Jhonatan pelo poder
Mecias de Jesus e Jhonatan de Jesus – Foto: Ascom Parlamentar

Escândalo

Escândalo é (ou deveria ser) uma exceção. Quando vira rotina, tem outro nome: sistema. Roraima já assistiu a vários casos. Mesmo assim, os protagonistas seguem ocupando cargos estratégicos. No centro dessas engrenagens tem dois nomes bem conhecidos. Aqui e em Brasília. O senador Mecias de Jesus (Republicanos) e o filho dele, Jhonatan de Jesus, ex-deputado federal e agora ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Vamos relembrar alguns fatos que parte do imaginário roraimense esquece ou insiste em ignorar.

Praga do Egito

Mecias de Jesus, um dos políticos mais influentes de Roraima, foi condenado no caso que ficou nacionalmente conhecido como “Escândalo dos Gafanhotos”, um esquema de corrupção descoberto pela Polícia Federal em 2003 (Operação Praga do Egito) e que desviou mais de R$ 230 milhões de recursos do Governo do Estado através de funcionários fantasmas. À época, o parlamentar era deputado estadual. A Justiça considerou que Mecias foi o único que enriqueceu ilicitamente e foi condenado em 2022 a restituir quase R$ 2 milhões aos cofres públicos. Ele também teve os direitos políticos suspensos por cinco anos. Depois recorreu e segue impune ate hoje.

Tal pai, tal filho

E como a maçã não cai muito longe da árvore…. O filho do senador, Jhonatan de Jesus, parece que tende a herdar a ambição e a ‘fome’ do pai. Ainda como deputado, ele indicou R$ 42 milhões em emendas para Roraima, sendo R$ 25,8 milhões em emendas PIX (sem qualquer prestação de contas). Só o município de Iracema recebeu R$ 11,7 milhões para uma obra de 300 casas populares. Seria bom, se não tivesse sido construída apenas uma casa, que agora está abandonada. Em fevereiro de 2023, Jhonatan foi eleito ministro do TCU, o cargo vitalício mais poderoso do país. Ele recebeu o apoio de 239 parlamentares e, inclusive, agradeceu publicamente o então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira. No Senado, sua indicação foi relatada pelo próprio pai.

Patrimônio

Em 2024, algumas aquisições feitas pelo agora ministro chamou a atenção da imprensa nacional. Jhonatan de Jesus comprou cinco cavalos por R$ 816 mil em dois leilões da Associação Brasileira do Cavalo Quarto de Milha, em Araçatuba. A égua mais cara custou R$ 328 mil. As parcelas ficaram em mais de R$ 20 mil por mês, quase 60% do salário líquido dele no Tribunal de Contas da União. O valor é de se questionar, já que ele declarou um patrimônio de R$ 1,1 milhão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ou seja, os cavalos representam mais de 70% de tudo o que ele declarou ter.

INSS

Já em 2025, mais um escândalo estourou no Brasil após a Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema de fraude no INSS de até R$ 6,3 bilhões. Ela teve como alvo principal Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Na casa do filho dele, a PF encontrou uma BMW X1 branca de R$ 350 mil. E é aí que começa a ficar “estranho”. O veículo estava registrado no nome de Thallys Mendes dos Santos de Jesus, esposa de Jhonatan. Segundo o ministro do TCU, o automóvel teria sido “vendido” semanas antes.

Master

Chegamos ao presente. O assunto em voga da vez é o Banco Master. Sua liquidação foi consolidada entre o finalzinho de 2025 e começo de 2026 e revelou um rombo financeiro superior a R$ 47 bilhões. Até o momento, este é considerado o maior escândalo de falência bancária do Brasil. E adivinha quem é o relator desse processo no Tribunal de Contas da União? Ele mesmo: Jhonatan de Jesus. E o que ele fez? Restringiu o acesso do Banco Central aos documentos do caso. O BC precisa pedir permissão ao ministro para ler o parecer sobre a atuação do próprio banco. Isso mesmo que você leu. O investigado tem que pedir permissão ao investigador para poder ler as provas que têm contra ele. Enquanto isso, o senador Renan Calheiros acusa Hugo Motta e Arthur Lira de terem chantageado Jhonatan para impedir a liquidação do Master.

Poder

Infelizmente, isso não começou ontem e nem deve parar agora. Voltemos alguns anos. Pai e filho trabalhando juntos com um objetivo só: poder. E como isso afeta Roraima e todo o seu entorno? Além do que já foi destacado aqui? Bom, demonstremos mais uma vez: Mecias de Jesus é autor de um projeto de lei para legalizar garimpo em terras indígenas. Junto com o primogênito Jhonatan, ele indicou vários coordenadores do Distrito de Saúde Indígena Yanomami. O resultado? Mais de 500 crianças Yanomami morrendo de desnutrição e doenças tratáveis, enquanto os coordenadores indicados tratavam os cargos como moeda de troca. Em 2022, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram uma operação contra o desvio de recursos públicos que deveriam ter sido destinados ao Dsei, à época administrado pelo ex-vereador de Mucajaí, Ramsés Almeida, indicado pelo senador Mecias de Jesus e pelo então deputado Jhonatan de Jesus.

Sistema

Mecias não é um ator periférico em todo esse enredo. É uma peça estruturante. O ponto não é apenas o passado e o presente. É a permanência. É a capacidade de sobreviver politicamente a sucessivas controvérsias. E mais do que isso: ampliar o espaço institucional. Quando o filho dele, Jhonatan de Jesus, assumiu a cadeira do TCU, o debate deixou de ser apenas eleitoral e passou a ser estrutural. Trata-se de uma influência política alcançando o órgão que fiscaliza o próprio sistema. Enfim. É de se pensar.

Da Redação

 

 

 

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