Servidores denunciam fechamento de mais 10 leitos de UTI no HGR

Nessa sexta-feira (6), Secretaria anunciou que fecharia outros 24 leitos

Servidores denunciam fechamento de mais 10 leitos de UTI no HGR
Paciente aguarda na fila de espera há quatro anos – Foto: Arquivo/Roraima em Tempo

Servidores do Hospital Geral de Roraima (HGR) denunciaram à reportagem neste sábado (7), que mais 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), destinados ao tratamento de pacientes graves de Covid-19 serão fechados.

Conforme os denunciantes, a medida faz parte da reestruturação anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) ontem (6), para ampliação das cirurgias eletivas.

Nessa sexta-feira, 24 leitos foram encerrados. A pasta alega que está reduzindo os leitos devido à diminuição de casos graves de Covid-19.

Além disso, a Sesau pretende transferir todos os pacientes da enfermaria destinada ao tratamento de coronavírus para o Hospital Estadual de Retaguarda Covid (HERC).

“Retrocesso”

Os funcionários classificam a medida como um “retrocesso”, pois, conforme eles, a demanda continua surgindo devido à pandemia.

“Essa situação de fechar os leitos é um retrocesso. Enquanto a população não estiver imunizada a situação será caótica. Ao fechar o Bloco B com melhor atendimento clínico de Covid-19, equipe multiprofissional exemplar, o fluxo será direcionado para o Hospital de Referência [HERC]”, relata um funcionário.

De acordo com os servidores, não há data para o fechamento das UTIs. Contudo, a orientação que a equipe recebeu é de não internar pacientes nos blocos.

“Paciente com coronavírus ou fica no Pronto Atendimento [PAAR], para o HERC ou vai para alguma das UTIs. Não existe mais opção de internar dentro de blocos no HGR, pois lá estão pacientes de infectologia e pneumologia”, explica.

Relembre

Em julho, a Ordem dos Advogados do Brasil em Roraima (OAB-RR) enviou ao Governo de Roraima uma recomendação para ampliação de leitos no HGR.

No documento, a entidade afirmava que a unidade estava em colapso enquanto pacientes aguardavam por uma ‘chance de salvação’ na fila da UTI.

No dia 13 de julho, o boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicou que desde o mês de junho, Roraima permanece na zona alta de tendência para casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), desenvolvida em pacientes com Covid-19.

Em seguida, o Roraima em Tempo mostrou que haviam leitos sem utilização no HGR. Após as denúncias, o governo ampliou o número de leitos de UTI de 54 para 74. Com o aumento, a unidade apresentou uma redução na taxa de ocupação para 74%.

Taxa de ocupação

Atualmente, a taxa de ocupação nas UTIs chega a 54%, enquanto a de leitos clínicos está em 76%, conforme o boletim epidemiológico da Sesau. Com isso, 65 pessoas estão internadas na unidade para tratamento da doença.

Ainda segundo o documento, o estado tem 120.905 pessoas infectadas pela doença e 1.886 mortes desde o início da pandemia, em 2020.

Citada

A Sesau (Secretaria da Saúde) reitera que as mudanças estão sendo feitas com base nos resultados do acompanhamento epidemiológico.

Esclarece que não haverá nenhum tipo de prejuízo para os pacientes, pois, se houver a necessidade, os leitos serão prontamente reutilizados, ou seja, nenhum paciente ficará desassistido.

Acrescenta que o Boletim Observatório Covid-19 da Fundação Oswaldo Cruz, realizado no mês de julho, mostra que vários estados brasileiros, incluindo Roraima, apresentam nos últimos meses queda na taxa de utilização de leitos de UTI, depois que a população começou a ser vacinada contra a doença.

Sendo assim, a reorganização do fluxo de atendimento no HGR faz parte da resposta ao cenário atual da pandemia, que se apresenta neste momento com uma redução nas demandas por leitos de UTI.

Deste modo, é preciso ter a responsabilidade de organizar o fluxo e evitar o desuso, possibilitando o atendimento de outras demandas não relacionadas à Covid-19 e que precisam também receber a atenção da gestão de saúde.

A reorganização do atendimento inclui ainda a transferência de pacientes estáveis para o Hospital Estadual de Retaguarda, onde há 120 leitos clínicos e apenas 50 estão ocupados atualmente.

Por Yara Walker

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