Boa Vista reviveu uma cena comum de anos atrás ao registrar a presença de galeras dentro de um shopping da capital no início do mês. Diversos jovens assombraram frequentadores do local e precisaram ser contidos pela Polícia Militar, que evitou um confronto entre os grupos.
Quem viveu em Roraima nas décadas de 1990 e início dos anos 2000, sabe o tamanho do problema enfrentado pela até então prefeita Teresa Surita (MDB) que encarou não somente a onda de violência, mas como parte da população que não concordava com os projetos idealizados pela gestora que acolhiam os membros das galeras.
Mas foi com visão futurista, conhecimento e coragem que Teresa, à época, conseguiu mudar o rumo da história de vários adolescentes e jovens que até então estavam desacreditados.
Meninos do Dedo Verde e Crescer
Foi ouvindo e valorizando o potencial desses jovens com projetos como “Menino do Dedo Verde” e “Projeto Crescer” que os grupos foram se desfazendo aos poucos até se acabarem. Até Teresa conseguir esse feito, muitos pais perderam seus filhos em confrontos quase que diários e que assustavam moradores de diversos bairros.
Mas o que aconteceu para que as galeras ressurgissem aos poucos em Boa Vista? A imigração? A falta de oportunidades? Ou o modelo de trabalhar com esses jovens que muitas vezes não estudam, não trabalham e não têm qualificação?
Muitas perguntas, poucas respostas e a certeza de que se nada for feito a curto e médio prazos, as coisas vão piorar bastante na capital. Se por um lado a segurança pública de Roraima está de lado e os policiais militares estão desvalorizados, por outro, os projetos precisam utilizar a mesma metodologia e fazer com esses meninos e meninas tenham oportunidades e de serem inseridos na sociedade e até no mercado de trabalho.
Pelo contrário, viveremos tempos tenebrosos mais uma vez, porém em um momento muito pior. Se antes os membros de galeras utilizavam facas, facões e terçados, agora, com a fronteira desprotegida e o fluxo migratório crescente, brasileiros e estrangeiros poderão usar armas de fogo e ser bem mais letais quem nos anos 90.
Fonte: Da Redação

