O Conselho de Justificação da Polícia Militar de Roraima (PMRR) considerou improcedentes as acusações contra três oficiais acusados pelo sequestro do jornalista Romano dos Anjos.
São eles:
- Coronel Moisés Grangeiro
- Coronel Natanel Nascimento
- Major Vilson Araújo
Em nota enviada ao Roraima em Tempo, a PMRR informou que o processo foi concluído e que o Comando-Geral encaminhou o resultado ao governador do Estado, Antonio Denarium, ainda em agosto do ano passado. Isso porque cabe ao chefe maior do Estado a decisão final nesse tipo de procedimento.
A corporação ressaltou que, até o momento, não houve aplicação de punições administrativas, afastamentos, exclusões ou arquivamento definitivo, uma vez que os procedimentos ainda não tiveram decisão conclusiva.
Atualmente, outros quatro policiais militares (praças) seguem respondendo ao Conselho de Disciplina, com o processo ainda em tramitação no âmbito da PMRR. Ao todo, o Ministério Público de Roraima (MPRR) acusou sete policiais pelos crimes contra o jornalista. No entanto, um morreu.
A Polícia Militar instaurou o Conselho de Justificação no dia 18 de abril de 2022. À época, o prazo para que os membros concluíssem o processo era de 30 dias. Além disso, a PM decidiu manter o andamento em sigilo.
O Conselho foi conduzido pelos coronéis Magalhães José Damasceno (presidente), Antonio Correia Lima (interrogante/relator), bem como Alexandra Gomes Costa Ribeiro (escrivã).
Por outro lado, o Conselho de Disciplina tem como presidente o major Leonardo de Almeida Cerqueira Lima, a interrogante/relatora Hegley da Silva Miranda Vasconcelos e a escrivã: capitã Elisângela Rocha Gomes
Relembre
No dia 26 de outubro de 2020, Romano dos Anjos jantava com a esposa Nattacha Vasconcelos quando três bandidos armados e encapuzados invadiram a residência do casal e então sequestraram o jornalista. Ele foi torturado e deixado em uma área rural de Boa Vista, com pés e mãos amarrados. Quase quatro anos depois, o crime segue sem desfecho na Justiça.
Romano foi encontrado com o braço quebrado e as pernas lesionadas, próximo a uma árvore na região do Bom Intento. Após quase um ano de investigações, o Ministério Público de Roraima deflagrou a primeira etapa da Operação Pulitzer, juntamente com as polícias Civil e Miliar, no dia 16 de setembro de 2021. Na ocasião, ocorreu a prisão de seis PMs e um ex-servidor da Assembleia Legislativa de Roraima:
- Tenente-coronel Paulo Cézar Lima Gomes
- Subtenente Clóvis Romero Magalhães Sousa
- Subtenente Nadson José Carvalho Nunes
- Major Vilson Carlos Pereira Araújo
- Sargento Gregory Thomaz Brashe Júnior
- Soldado Thiago de Oliveira Cavalcante Teles
- Luciano Benedicto Valério (ex-servidor da ALE).
Os envolvidos respondem por condutas tipificadas, como cárcere privado e sequestro qualificado, dano qualificado, constituição de milícia privada e tortura. De acordo com alegações apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ficou evidenciada a milícia privada, constituída para prática de crimes diversos.
Operações
As investigações duraram quase um ano até que a Polícia Civil deflagrasse a primeira operação, a Pulitzer. Em 16 de setembro de 2021, o Ministério Público de Roraima (MPRR) e as polícias Civil e Militar prenderam seis policiais militares e um ex-servidor da ALE-RR.
Já no dia 1º de outubro daquele ano, o MP deflagrou a segunda fase da operação, que resultou na prisão de Jalser Renier e mais três militares investigados pela força-tarefa criada para elucidar o caso.
Em setembro de 2021, o delegado da Polícia Civil encarregado da investigação, João Luiz Evangelista reuniu evidências em inquérito onde apontou que o ataque contra o jornalista ocorreu sob as ordens de Jalser Renier com a participação dos policiais militares.
Em 2022, o então secretário de Segurança do Estado, Edison Prola confirmou que o ex-delegado-geral da Polícia Civil Hebert Amorim Cardoso pediu sua ajuda para retirar o delegado João Evangelista da presidência da força-tarefa criada para apurar o sequestro do jornalista Romano dos Anjos.
O inquérito aponta que sem obter êxito com o pedido feito a Edison Prola, o delegado Herbert Amorim resolveu fazer mudanças no quadro da força-tarefa. Dessa forma, ele editou a portaria que a criou.
Fonte: Da Redação


