Cidades

Após operação, Romano dos Anjos diz que “vida começa a voltar ao normal”

Dois dias após a Operação Pulitzer que prendeu seis investigados pelo sequestro de Romano dos Anjos, o jornalista fala que sua vida começa a voltar ao normal.

A afirmação foi feita na noite nesta sexta-feira (18), em entrevista exclusiva ao Roraima em Tempo.

“Meu sentimento é de que agora minha vida parece que começa a voltar ao normal. Tá começando a tirar um peso das minhas costas, mas ainda falta algumas coisas acontecerem para que esse peso saia totalmente”, disse.

Quase 11 meses após o sequestro, o jornalista revela que com as prisões ocorridas na quinta-feira (15), suas perspectivas são de melhoras e de que a Justiça começa a ser feita.

“Minhas perspectivas são de melhoras e saber que prisões já começaram, que pessoas que participaram desse atentado já foram identificadas, que já teve prisão, mandados de busca e apreensão, então fica o recado de que a Justiça está sendo feita” destacou.

Trauma

Romano revelou ainda que ele e sua esposa, a também apresentadora Nattasha Vasconcelos, vivem dias de tortura depois do ocorrido. Nesse meio tempo, eles desenvolveram sérios problemas psicológicos e o jornalista ainda enfrenta problemas de saúde devido ao espancamento que sofreu.

“São praticamente 11 meses torturantes de problemas psicológicos, problemas físicos. Tanto eu com ao minha esposa temos sérios problemas. Por exemplo, ela desenvolveu síndrome do pânico, a gente toma antidepressivo, remédio para dormir” explica.

Retorno à TV

Questionado sobre seu retorno à TV, Romano disse que pretende retomar sua vida normal aos poucos.

“Sou jornalista. É o que eu sei fazer. Só sei trabalhar disso, eu não tenho outra profissão, mas a minha segurança sempre em primeiro lugar. É um passo de cada vez. Primeira coisa foi essa operação. Vamos vê o que vai acontecer depois, nos próximos dias. O futuro ainda é incerto”, afirma.

O caso Romano dos Anjos

Romano dos Anjos foi tirado de dentro de casa por bandidos encapuzados no dia 26 de outubro de 2020 quando estava em casa jantando com a esposa. Os criminosos deixaram a apresentadora em casa amarrada e levaram Romano no próprio carro.

Em seguida, a Polícia encontrou o veículo em chamas próximo à BR-174. O aparelho celular do apresentador também foi localizado em um terreno.

Foto: Divulgação

No dia seguinte, um funcionário da Roraima Energia encontrou o jornalista na região do Bom Intento. Em seguida Romano foi resgatado pelas forças de segurança e relatou que foi muito agredido com pedaços de pau e deixado pelos bandidos na região. Ele teve os dois braços quebrados e vários hematomas pelo corpo.

Operação Pulitzer

Nessa quinta-feira (16), a Operação Pulitzer, deflagrada pelo Ministério Público de Roraima (MPRR) prendeu cinco policiais militares. Eles são investigados pelo envolvimento no caso de sequestro e tortura de Romano dos Anjos.

Já nessa sexta-feira (17), um dos envolvidos, que estava fora de Roraima se entregou. Em contrapartida, o MPRR informou que a expectativa era de prender ainda ontem mais um investigado. Mas até a instituição ainda não divulgou a prisão.

O Roraima em Tempo divulgou a lista com os nomes dos militares presos, bem como o salário que cada um recebia na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) na época do crime.

“Amigo” participou do crime

Em entrevista à TV Imperial, Romano aformou que um dos policiais presos na operação era seu amigo há 23 anos. Disse ainda que o agente foi à sua casa após o sequestro e se ofereceu para levar sua esposa à delegacia.

O suspeito é o subtenente Nadson José Carvalho Nunes e estudou com ele no ensino médio. O policial mantinha contato com Romano desde então.

“Cheguei aqui em 1998, terminei o ensino médio e essa pessoa estudou comigo, se dizia meu melhor amigo na escola. Nunca perdemos contato. Ele conheceu minha casa, eu conheço a mãe dele. Ele me ligava para ir para a casa dele”, relembra.

Sindicato

A redação entrou em contato com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Roraima (Sinjoper). Nesse sentido, a entidade afirmou que cobrou por diversas vezes das autoridades o esclarecimento do caso, com a certeza de que o crime não ficaria impune.

Disse ainda que espera agora a punição dos culpados para que outros lamentáveis casos como esse não venham acontecer jamais.

Além disso, o Sindicato ressaltou que “é preciso que toda a sociedade diga não à violência contra jornalistas, que é sempre um atentado à liberdade de imprensa e ao direito do cidadão à informação“.

A redação também entrou em contato com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e aguarda resposta.

Por Rosi Martins

Rosi Martins

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