Cidades

Corpo de Bombeiros e Defesa Civil Estadual atuam em áreas afetadas pelas chuvas em Roraima

O inverno amazônico chegou com força a Roraima e as chuvas que se intensificaram ao longo do fim de semana provocaram transbordamentos de rios, danos a pontes e isolamento de algumas comunidades do interior. O CBMRR (Corpo de Bombeiros Militar de Roraima), a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil e a Seinf (Secretaria de Infraestrutura) estão operando para dar resposta às ocorrências.

“De fato, agora entramos no inverno. A partir de abril começaram as primeiras chuvas e em maio se intensificaram. É natural, pois a zona de convergência intertropical se estabelece aqui no estado e o inverno vai perdurar até agosto ou setembro”, explicou o subcomandante-geral do CBMRR, coronel Gewrly Batista.

O caso mais crítico registrado até agora ocorreu neste sábado, 23, na comunidade indígena Jacamim, no município de Bonfim. A força das águas destruíram uma ponte de madeira de cerca de 50 metros sobre o rio Camaleão. Assim, deixando moradores isolados e interrompendo o único acesso à localidade do Jacamim.

Cerca de 700 pessoas moram na região, que engloba algumas comunidades. Até o momento, não há registro de famílias desalojadas ou desabrigadas no local e nem em outros pontos no Estado.

Ainda no sábado, 23, o Governo do Estado enviou dois bombeiros militares e dois brigadistas para atuarem em conjunto com a brigada municipal, totalizando oito profissionais mobilizados na operação emergencial.

Atuação emergencial devido às fortes chuvas

As equipes realizaram serviços de baldeação em dois trechos da comunidade afetados pelo rompimento das estruturas. Então, retiraram seis profissionais que estavam na área prestando serviços sociais e não residem na localidade da comunidade na manhã de domingo, 24.

“A correnteza era forte, mas o nível da água baixou ao longo do domingo e a previsão é de chuvas mais amenas para a região nos próximos dias”, informou o secretário-executivo de Proteção e Defesa Civil, coronel Cidinei Lima.

Também enviaram no domingo, 24, uma nova embarcação para reforçar o atendimento na comunidade. As equipes retornaram ao fim da noite após a redução do nível das águas.

Nesta segunda-feira, 25, não houve permanência de equipes no local. A Defesa Civil fará uma nova vistoria na terça-feira, 26, após reunião técnica com a Seinf, que irá avaliar as condições da área e definir novas medidas. Durante o período, o tuxaua da comunidade ficou responsável por disponibilizar uma embarcação para apoio local, caso necessário.

Uma equipe técnica da Seinf também esteve no Jacamim para vistoriar a estrutura danificada. Conforme os técnicos, a ponte é antiga e já realizaram o levantamento inicial para elaboração do projeto de reconstrução, previsto para uma estrutura de aproximadamente 50 metros.

Elaboraram o orçamento da obra começou nesta segunda-feira, 25, e a viabilidade de execução durante o período chuvoso ainda está sendo analisada. Caso sejam necessárias fundações mais complexas, a obra ocorrerá após o inverno.

Planejamento e estrutura

O plano de contingência estadual para o período chuvoso já está em vigor. O CBMRR mantém guarnições de prontidão em Boa Vista e nas Companhias do interior (1ª Cia. em Caracaraí, 2ª Cia. em Rorainópolis e 3ª Cia. em Pacaraima).

A Defesa Civil Estadual conta com brigadistas contratados pelo Governo do Estado atuando em todos os 15 municípios, além de equipes com embarcações em sobreaviso.

O monitoramento hidrológico é feito em parceria com o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), que opera estações ao longo do estado, incluindo novas instalações em Pacaraima, Amajari e no sul de Roraima. Os dados alimentam o acompanhamento permanente dos níveis do Rio Branco em Boa Vista, Caracaraí e no Baixo Rio Branco.

“O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil estão plenamente preparados. Temos embarcações de tamanhos variados, equipes capacitadas e equipamentos de segurança para atuar em qualquer local do estado”, afirmou o coronel Gewrly Batista.

A articulação com as defesas civis municipais também é contínua, com reuniões online periódicas, capacitações e suporte para elaboração dos planos de contingência locais. “Reforçando que não é só o Estado que responde em relação a esse tema. É preciso mobilizar também as secretarias municipais de obras, meio ambiente e assistência social”, destacou o coronel Cidinei Lima.

O que fazer e o que evitar

Para as principais orientações para a população durante o período, o CBMRR e a Defesa Civil Estadual reforçam:

Nas cidades, não jogar lixo, galhada ou detritos que possam obstruir bueiros e galerias, pois o entupimento retarda o escoamento e prolonga os alagamentos.

Caso a água começar a subir dentro de casa, elevar os móveis e desligar aparelhos elétricos antes que a água os atinja, já que a água conduz eletricidade e representa risco de morte aos moradores.

No interior e nas estradas vicinais, é muito importante não tentar atravessar trechos alagados onde a pista não esteja visível. “Você não sabe se a estrada ainda está íntegra. A pessoa pode cair na correnteza com o próprio veículo”, alertou o coronel Gewrly. O mesmo vale para pontes com troncos acumulados ou sinais de pressão pela correnteza, já que não se sabe o momento em que uma estrutura pode colapsar.

Em áreas de cachoeiras, corredeiras ou montanhas, sair imediatamente ao início das chuvas intensas e buscar terreno elevado. A chamada “cabeça d’água” –aumento rápido, repentino e violento do nível de um rio ou cachoeira– pode chegar de forma rápida e sem aviso.

Em nenhuma hipótese se abrigar sob árvores ou próximo a placas e estruturas que possam cair com o vento.

Em casos de emergência, a população pode acionar o CBM pelo 193, a Defesa Civil Estadual pelos telefones 199 ou pelo WhatsApp (95) 98406-6201. A Defesa Civil de Boa Vista pode ser acionada pelo telefone 156.

Fonte: Da Redação

Tiago Côrtes

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