Cidades

Instituto A Moda É Viver e CMBV firmam parceria para implantar Banco Vermelho em Roraima

O Instituto A Moda É Viver (IAMV) e a Câmara Municipal de Boa Vista (CMBV) formalizaram, nesta quarta-feira, 15, a assinatura do termo de cooperação técnica para a implantação do projeto Banco Vermelho em Roraima.

A iniciativa posiciona o IAMV como responsável pela execução e articulação das ações no estado. Isso, em parceria com o Legislativo municipal, por meio da Procuradoria da Mulher.

Participaram do ato a presidente do Instituto, Alda Araújo; o presidente da Câmara, Genilson Costa; os vereadores Thiago Reis, Carol Dantas, Deyvid Carneiro. Bem como a vereadora e procuradora da Mulher, Pastora Carla Messias.

O Banco Vermelho será instalado em frente ao prédio da Câmara, em uma área de grande circulação de pessoas. Dessa forma, o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o enfrentamento à violência contra a mulher. A estrutura passará por uma pequena adequação no espaço antes da instalação.

A presidente do Instituto, Alda Araújo, destacou que a parceria com o legislativo municipal surgiu após articulação com a Procuradoria da Mulher, presidida pela vereadora Pastora Carla Messias.

“A Câmara já atua com alguns projetos voltados para o combate à violência contra a mulher. Por sua vez, o IAMV atua na promoção da vida. Com isso, a vereadora e os demais parlamentares abraçaram a causa”, acrescentou.

Ainda conforme Alda Araújo, a formalização do termo marca o início de uma série de ações que vão além da instalação do equipamento urbano.

“Tenho certeza de que a partir do lançamento do Banco Vermelho, por meio dessa parceria, vamos chamar a atenção das pessoas para que possam se unir à nossa causa”, disse.

O que é o Banco Vermelho?

Criado em Pernambuco, o Instituto Banco Vermelho é uma organização sem fins lucrativos que atua nacionalmente na prevenção ao feminicídio no país. Atualmente, o projeto está presente em 17 estados do Brasil.

A iniciativa surgiu a partir da dor de duas mulheres, Andrea Rodrigues e Paula Limongi, que perderam amigas para esse tipo de crime. Então, decidiram transformar o luto em mobilização social.

O principal símbolo do movimento é um banco gigante de cor vermelha, instalado em locais públicos e de grande visibilidade. A cor representa tanto o sangue das vítimas quanto o alerta para interromper a violência.

Mais do que um elemento urbano, o banco funciona como ferramenta de conscientização, trazendo informações sobre canais de denúncia, redes de apoio e mensagens de reflexão.

“O banco gigante vermelho tem informações sobre onde as mulheres podem buscar ajuda e os locais de denúncia. A gente fez o projeto voltado para isso, entramos em contato com as responsáveis, e conseguimos negociar a compra de cinco bancos, que vão ser instalados em cinco municípios, incluindo Boa Vista”, informou.

Além da instalação, o projeto prevê ações educativas como distribuição de panfletos informativos. “Na instalação, a gente vai fazer uma blitz educativa, com a distribuição de panfletos para os motoristas que vão estar passando na via”, detalhou Alda.

A proposta também inclui atividades em escolas e comunidades, com objetivo de alcançar crianças e jovens a fim de que eles levem a informação para casa.

Mobilização contra o feminicídio

A implantação do Banco Vermelho em Boa Vista ocorre em um cenário de preocupação com os índices de violência contra a mulher.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024 (dados de 2023), o Brasil registrou 1.463 vítimas de feminicídio, o maior número da série histórica. Já o próprio Instituto Banco Vermelho aponta que, no país, uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas.

Em Roraima, a realidade também acende o alerta, conforme reforça Alda Araújo. “Essa parceria surgiu a partir do momento em que o índice de feminicídio estava muito grande no Estado, e ainda está, na verdade. Vimos a necessidade de fazer uma mobilização para provocar a população e somar forças no combate a esse crime no estado”, ponderou.

A presidente do Instituto também ressaltou que a iniciativa foi viabilizada por meio de recursos de emenda parlamentar do ex-senador Mecias de Jesus, e prevê a instalação de bancos em outros municípios.

“O Instituto A Moda é Viver tinha emenda viabilizada pelo então senador, então pensamos em trabalhar este recurso com um projeto voltado à prevenção do feminicídio, já que trabalhamos com a prevenção do suicídio entre crianças, adolescentes e jovens. Tivemos apoio da parceira Darbilene e estamos agora nos trâmites para colocar o projeto em prática”, destacou.

Expansão para o interior

A iniciativa deve alcançar outros municípios do estado. Inicialmente, cinco cidades serão contempladas, priorizando localidades que já registraram casos de feminicídio em Roraima neste ano.

“Quando pensamos no projeto, optamos pelos municípios que já registraram feminicídios em 2026. E nós detectamos que aconteceu em cinco cidades”, destacou, Alda.

Impacto esperado

A escolha do local para instalação em Boa Vista leva em consideração a visibilidade e o potencial de engajamento da população.

“A importância da instalação do Banco Vermelho na capital Boa Vista, especialmente na frente da Câmara, é porque está no local onde tem grande circulação de pessoas, e o nosso objetivo é que todos conheçam o projeto”, frisou Alda.

A proposta é transformar o espaço em ponto de reflexão e mobilização social, para sensibilizar a comunidade.

“O local terá frases motivacionais, onde as pessoas vão poder sentar e, ao se levantarem, vão poder refletir sobre como pode ajudar uma mulher que está passando por situação de violência.”

Instituto A Moda é Viver

Com sede no município de Caracaraí, a 145 quilômetros de Boa Vista, o Instituto A Moda É Viver é uma organização social que atua na promoção de políticas públicas voltadas à prevenção de problemas sociais como suicídio, violência contra a mulher e uso de drogas.

A instituição desenvolve suas ações com foco em comunidades vulneráveis, atendendo crianças, adolescentes e famílias em áreas urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas.

Reconhecido pelo impacto social, o IAMV oferece atividades gratuitas nas áreas de educação, cultura e esporte, incluindo musicalização, dança, práticas esportivas e ações comunitárias.

A iniciativa busca promover desenvolvimento humano, fortalecer vínculos familiares e ampliar oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade.

Entre os projetos de destaque estão iniciativas de segurança alimentar, ações solidárias, incentivo à educação e programas culturais itinerantes.

Em 2022, o instituto foi vencedor do Prêmio Nacional de Incentivo ao Voluntariado – Pátria Voluntária, na categoria Organizações da Sociedade Civil da Região Norte, concedido pela Presidência da República, consolidando sua atuação como referência em transformação social em Roraima.

Fonte: Da Redação

Tiago Côrtes

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