Cidades

Ribeirinhos pedem que Justiça suspenda licença para empresa de pesca esportiva

Os ribeirinhos do Baixo Rio Branco pediram hoje (27) à Justiça de Roraima que suspenda a licença da empresa Vilanova Amazon Agência de Viagens LTDA. O juiz Luiz Alberto de Morais Júnior analisa o caso.

De acordo com eles, não houve audiência pública para discutir a pesca esportiva, e o Instituto do Meio Ambiente (Ibama) precisa emitir a licença. (Entenda mais abaixo)

No mês de setembro, o governo anunciou a licença de 10 anos para a empresa do Paraná. Os ribeirinhos discordam, pois, de acordo com eles, não houve consulta.

Procurado pelo Roraima em Tempo em setembro, o empresário Victor Vilanova se alterou e chamou os ribeirinhos de “meia dúzia de vagabundos”. Ouça o áudio abaixo:

Argumentos contra licença

A Associação dos Moradores de Xeriuini entraram com o pedido. A entidade diz que pretende restabelecer os direitos da comunidade.

Eles falam que por serem povos tradicionais precisam discutir, em audiência pública, os impactos ambientais da pesca na região. De acordo com eles, sem esse rito, a licença é ilegal.

No pedido, os moradores afirmam que a atividade da empresa afeta diretamente pelo menos seis comunidades ribeirinhas. Ou seja, elas precisam aprovar o empreendimento.

“Em uma gestão democrática, é incabível se perquirir de um licenciamento ambiental, na forma como foi realizado, nas sombras e na escuridão, sem a escuta da população ribeirinha”, criticam.

A associação também justifica que o Rio Jufari, que deve ser usado para a pesca esportiva da empresa, é propriedade da união.

É que o rio divide e serve como limite de fronteira entre os estados de Roraima e do Amazonas. Sendo assim, dizem que é de responsabilidade do Ibama o licenciamento.

Além disso, os moradores citam a possibilidade de conflitos no Baixo Rio Branco. Dessa forma, solicitam uma liminar urgente para suspender a licença.

A defesa também argumenta que o empresário tem impedido os ribeirinhos de navegar pelos rios da região. Com isso, eles não podem pescar para o próprio sustento.

A preocupação empresarial, na verdade, é manter um plantel, nos rios da região, de Tucunarés de grande porte, pois é isso que impressiona o estrangeiro que vem interessado na denominada pesca desportiva. Daí a imposição do empresário de que não se possa mais pescar para consumo e nem mais entrar nas matas, tudo para que o peixe possa crescer e se desenvolver para, ao final, o pescador estrangeiro possa fisgá-lo”.

Citada

O jornal questionou a Fundação do Meio Ambiente (Femarh) e aguarda uma resposta.

Fonte: Josué Ferreiara

Josué Ferreira

Recent Posts

Ovo mais barato: preços atingem menor patamar de janeiro em seis anos

Em janeiro, valores estavam até 27% inferiores aos registrados há um ano atrás

44 minutos ago

Prefeitura de Pacaraima contrata empresa por quase R$ 8 milhões para manutenção em prédios da Secretaria de Educação

Quem assina o extrato do contrato é o prefeito Waldery D’avila Sampaio do Progressistas

2 horas ago

Inauguração de escola municipal no Pedra Pintada marca início de ano letivo em Boa Vista

Escola Fridman da Cunha Nascimento, atenderá etapas de ensino creche e pré-escola, totalizando oferta de…

2 horas ago

Licitação na Prefeitura de São Luiz prevê R$ 2,5 milhões para pavimentar 650 metros de estrada em paralelepípedo

Estrada a receber esse pouco mais de meio quilômetro de calçamento é a que dá…

2 horas ago

Ex-reitor da UERR, investigado pela Polícia Federal, é nomeado no Ministério Público de Contas

Informação consta em Diário Oficial do Estado. O salário é de cerca de R$ 14…

3 horas ago

Em Boa Vista: mais de 54 mil alunos retornam às aulas e iniciam Ano Letivo 2026 na rede municipal

Estudantes estão matriculados em 145 unidades, entre urbanas, indígenas e do campo. Ele receberam fardamento…

4 horas ago