Denarium anunciou liberação da licença no dia 6 de agosto - Foto: Reprodução/Facebook/Antonio Denarium
Ribeirinhos do Baixo Rio Branco dizem que o empresário Victor Vilanova não vai entrar na região para explorar a pesca esportiva sem fazer um acordo com os moradores. A declaração foi dada hoje (26) ao Roraima em Tempo.
Vilanova chamou os ribeirinhos de “vagabundos” por protestarem contra a autorização cedida pelo governo à Vilanova Amazon Agência De Viagens LTDA, do Paraná. O jornal publicou a declaração com exclusividade.
Conforme Júlio Araújo, morador da comunidade Caicubí, Victor Vilanova é irresponsável e não tem compromisso com as comunidades do Baixo Rio Branco.
Ainda de acordo com ele, mesmo com a licença, o empresário está proibido de pescar na comunidade e será expulso caso apareça na região.
“Se o governador não retirar a licença dada a esse cidadão pode acontecer até o pior. Sem acordo ele não entra no nosso rio. Infelizmente ele tem a licença do governo, mas da nossa comunidade ele ainda não tem a permissão”, explicou.
De acordo com Júlio, os moradores fizeram uma reunião no dia 20 de setembro com o governo para pedir a suspensão da licença da empresa de Vilanova.
No entanto, conforme o morador, o governo deveria se pronunciar até sábado (25), mas ainda não deu uma resposta.
Dessa forma, eles falam que o Antonio Denarium (PP) não deveria ter cedido a licença sem antes conversar com os ribeirinhos.
“Estamos sendo prejudicados porque o governador cedeu [a licença]. Ele deveria ter nos consultado antes de ter dado essa licença. Não admitimos que um cidadão que não tenha compromisso venha tirar renda da nossa família”, disse.
No dia 14 deste mês, Vila Nova chamou ribeirinhos do Baixo Rio Branco de “vagabundos” por protestarem contra a licença. A declaração veio após o Roraima em Tempo procurá-lo para falar sobre a insatisfação dos ribeirinhos.
Além disso, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) investiga Vilanova por crime ambiental. Desde maio deste ano, o órgão apura desmatamento na região do Rio Jufaris, nas comunidades Caburis e Caju.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipam) disse ao Ministério Público que Vilanova não tinha licenças ambientais para atuar na região.
Segundo Júlio Araújo, a fala do empresário chocou os moradores da região que se sentiram desrespeitados.
“É uma indignação muito grande, de nós do Baixo Rio Branco a respeito de como o empresário se pronunciou ao nosso respeito”, relatou.
Antes de conseguir a licença, Vilanova já havia sido expulso da Vilas Canauanim e Caicubí por coagir a população.
Conforme o morador da comunidade Terra Petra, Eliezio Vasconcelos, os moradores haviam proibido Vilanova de pescar em Canauini, pois ele tinha ameaçado os ribeirinhos.
“Além disso, ele é um mau pagador. Foi expulso de Caicubí, por isso, ele se revoltou, e pediu a licença. Infelizmente, conseguiu. Ele não pagava os funcionários e chamou todos de vagabundos”, contou.
A Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh) disse que emitiu a licença dentro da legalidade, de acordo com a legislação, e que os empresários interessados na pesca esportiva podem regulamentar a atividade.
“Esclarece que no processo de licenciamento está inserido um abaixo assinado da comunidade apoiando a instalação da empresa”, diz.
Segundo a Femarh, os técnicos ambientais foram ao Baixo Rio Branco e conversaram com a comunidade que apoiou a empresa.
O governo disse ainda que não existe restrição de outras empresas atuarem, mas que precisam estar regularizadas “para gerar emprego e renda com responsabilidade ambiental”.
A reportagem tentou contato com Victor Vilanova acerca dos pronunciamentos dos ribeirinhos, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.
Por Redação
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