A escola pode ser um dos principais ambientes de combate à obesidade infantil e incentivo à alimentação saudável. Esse foi um dos pontos defendidos durante audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura do Senado para discutir o projeto que proíbe a venda de alimentos ultraprocessados em cantinas escolares.
A proposta, apresentada pelo senador Jaques Wagner, prevê a proibição de frituras, produtos com gordura hidrogenada e alimentos ultraprocessados nas escolas. O texto também determina que as instituições ofereçam portanto diariamente pelo menos três opções de lanches saudáveis, priorizando frutas, verduras, alimentos in natura, orgânicos e produtos regionais.
Os debates ocorreram durante audiência conduzida pela senadora Dra. Eudócia, relatora do projeto, a pedido da presidente da comissão, Teresa Leitão.
Especialistas alertam para avanço da obesidade infantil
Representantes de entidades ligadas à saúde, alimentação e nutrição defenderam a regulamentação das cantinas escolares e destacaram o avanço da obesidade infantil no Brasil.
Segundo Fernando Marcello Nunes, representante do Conselho Federal de Nutrição, mais de 6 milhões de crianças convivem atualmente com sobrepeso ou obesidade no país.
Ele afirmou que a obesidade infantil já é uma epidemia global e gera assim impactos diretos nos sistemas públicos de saúde.
“Temos um crescimento exponencial tanto do sobrepeso quanto da obesidade”, alertou.
Já Lídia Pantoja, representante do UNICEF, afirmou que o problema não pode ser tratado apenas como uma questão de escolha individual. “Não estamos tratando apenas de força de vontade, mas de todo um sistema que favorece escolhas não saudáveis”, declarou.
Projeto quer restringir salgadinhos, refrigerantes e refrescos em pó
Os alimentos ultraprocessados são produtos industrializados ricos em aditivos químicos, conservantes, açúcares e gorduras, com pouco ou nenhum alimento natural na composição.
Entre os exemplos citados durante a audiência estão:
- salgadinhos de pacote;
- biscoitos recheados;
- refrescos em pó;
- refrigerantes;
- produtos fritos e industrializados.
Representantes do Ministério da Saúde afirmaram que o consumo frequente desses produtos está relacionado ao aumento da obesidade, doenças cardiovasculares e até problemas de saúde bucal, como cáries.
Escolas como ambiente estratégico
Durante o debate, especialistas defenderam que o ambiente escolar tem papel fundamental na formação de hábitos alimentares.
Camila Mantovani, do Pacto Contra a Fome, destacou que crianças estimuladas a manter uma alimentação saudável também influenciam positivamente os hábitos das próprias famílias.
Segundo ela, pesquisas apontam que pais e responsáveis enxergam a escola como espaço importante para promoção de hábitos saudáveis. Nova audiência será no Senado nesta quinta-feira, 14.
Fonte: Agência Senado


