A inteligência artificial (IA) já começa a fazer parte de milhares de negócios brasileiros. Levantamento do Sebrae em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), com colaboração do Google, aponta que o uso de ferramentas de IA vem crescendo no país e já está presente na rotina de grande parte dos empreendedores.
De acordo com a pesquisa, 96% das micro e pequenas empresas (MPE) e 87% dos microempreendedores individuais (MEI) já estão familiarizados com ferramentas de inteligência artificial, como plataformas utilizadas para criação de conteúdos, análise de dados e automação de tarefas. Entre empresas de médio e grande porte, esse índice chega a 99%.
Quando analisado o uso prático da tecnologia dentro das empresas, os dados também mostram avanço. Cerca de 46% das micro e pequenas empresas já utilizam inteligência artificial para apoiar atividades do negócio, enquanto 42% dos MEIs fazem uso dessas ferramentas no dia a dia das operações. Entre médias e grandes empresas, a proporção chega a 63%.
Para Lucas Basgal, trainee gestor de Fortalecimento da Inovação e de Startups do Sebrae Roraima, o crescimento da tecnologia entre pequenos empreendedores já é perceptível, embora muitos ainda estejam dando os primeiros passos.
“O avanço é significativo, mas ainda estamos em uma fase inicial entre os pequenos negócios. As micro e pequenas empresas começaram a incorporar ferramentas de IA principalmente após a popularização das plataformas generativas”, explicou.
Segundo ele, muitos empreendedores ainda estão em fase de experimentação e descoberta das possibilidades da tecnologia. “Alguns já utilizam IA para criação de conteúdo, atendimento ao cliente, análise de dados e automação de rotinas operacionais. No geral, o impacto tem sido bastante positivo”, afirmou.
Marketing lidera uso da tecnologia
A pesquisa também mostra que a forma de utilização da inteligência artificial varia conforme o porte da empresa. Nas médias e grandes empresas, o principal uso da tecnologia está na análise de dados, citada por 67% das empresas, seguida por marketing e divulgação (51%), comunicação (46%) e inovação (42%).
Entre os pequenos negócios, o uso se concentra principalmente em atividades ligadas à divulgação e relacionamento com clientes. Nas micro e pequenas empresas, 59% utilizam IA em marketing, enquanto 39% aplicam a tecnologia na comunicação com clientes e 30% na análise de dados.
Já entre os microempreendedores individuais, o uso da inteligência artificial para marketing e divulgação chega a 74%, seguido por comunicação (31%) e inovação (27%).
De acordo com Basgal, essas são justamente as áreas em que os resultados aparecem mais rapidamente.
“As áreas que normalmente apresentam resultados mais rápidos são marketing, atendimento ao cliente e gestão operacional. No marketing, a IA ajuda na criação de conteúdos e campanhas. No atendimento, soluções automatizadas permitem responder clientes com mais agilidade”, explicou.
Ele acrescenta que a tecnologia também pode contribuir para melhorar a gestão interna das empresas.
“Ferramentas de IA ajudam na organização de processos, na análise de indicadores e no apoio à tomada de decisão. São aplicações simples que podem trazer retorno rápido para o negócio”, disse.
Ganhos de produtividade e economia de tempo
Entre os principais benefícios percebidos pelos empresários que utilizam inteligência artificial estão o aumento da produtividade e a economia de tempo.
Nas médias e grandes empresas, 42% apontam o aumento da produtividade como principal ganho, seguido pela economia de tempo (25%).
Entre as micro e pequenas empresas, o benefício mais citado é a economia de tempo, mencionada por 34% dos entrevistados. Em seguida aparecem aumento de produtividade e geração de novas ideias, ambos com 22%.
Já entre os microempreendedores individuais, a principal vantagem percebida é a geração de novas ideias, citada por 41%, seguida pela economia de tempo (24%).
Para Basgal, a inteligência artificial pode funcionar como um importante apoio na rotina empresarial.
“A IA funciona como um assistente dentro da empresa. Ela reduz o tempo gasto em tarefas repetitivas, melhora a organização das informações e ajuda o empreendedor a tomar decisões mais rápidas e baseadas em dados”, destacou.
Apoio ao empreendedor
Apesar do avanço da tecnologia, ainda existem desafios para ampliar o uso da inteligência artificial entre os pequenos negócios. Entre os microempreendedores individuais, por exemplo, 23% afirmam que não sabem como aplicar a tecnologia no próprio negócio.
Por isso, o Sebrae tem desenvolvido iniciativas voltadas à capacitação e à transformação digital das empresas.
“O Sebrae tem estruturado diversas iniciativas para apoiar os pequenos negócios nesse processo de transformação digital, com capacitações, trilhas de conhecimento em inteligência artificial e consultorias especializadas”, explicou Basgal.
Segundo ele, o primeiro passo para quem ainda não utiliza a tecnologia é buscar informação e começar com aplicações simples.
“O empreendedor pode iniciar com ferramentas que ajudem em atividades do dia a dia, como criação de conteúdo, organização de tarefas ou atendimento ao cliente. O importante é começar, experimentar e aprender continuamente”, concluiu.
Fonte: Da Redação


