Estudo identificou dois padrões cerebrais no autismo. Foto: Fala Ciência via Gemini
O autismo é uma condição marcada por uma ampla variedade de características e experiências. Enquanto algumas pessoas enfrentam maiores desafios na comunicação e na interação social, outras apresentam perfis comportamentais, habilidades, assim como necessidades bastante distintos. Essa diversidade sempre intrigou os cientistas. Novas evidências sugerem, portanto, que diferenças biológicas no funcionamento do cérebro podem ajudar a explicar por que o transtorno se manifesta de maneiras tão variadas entre os indivíduos.
Publicado na revista Nature Neuroscience, o estudo liderado por Marco Pagani e colaboradores (2026) identificou dois padrões distintos de conectividade cerebral associados ao transtorno do espectro autista. A descoberta pode representar um passo importante para o desenvolvimento de abordagens mais personalizadas de diagnóstico e acompanhamento, por exemplo.
Para entender melhor as bases biológicas do autismo, os pesquisadores analisaram exames de ressonância magnética funcional de 940 crianças e jovens adultos com autismo e os compararam com imagens de mais de mil indivíduos neurotípicos.
Para entender melhor as bases biológicas do autismo, os pesquisadores analisaram exames de ressonância magnética funcional de 940 crianças e jovens adultos com autismo e os compararam com imagens de mais de mil indivíduos neurotípicos.
Já o segundo demonstrou hiperconectividade, caracterizada por uma comunicação mais intensa entre áreas do cérebro.
Segundo os pesquisadores, esses dois padrões apareceram de forma consistente em diferentes conjuntos de dados, indicando que não se tratava de um resultado isolado.
Um dos aspectos mais inovadores da pesquisa foi a tentativa de conectar imagens cerebrais a mecanismos biológicos específicos.
Para isso, a equipe utilizou 20 modelos experimentais em camundongos e combinou informações de neuroimagem com análises genéticas e bioquímicas.
Os resultados indicaram que cada padrão de conectividade estava relacionado a processos biológicos diferentes:
Essas descobertas sugerem que pessoas diagnosticadas com autismo podem apresentar mecanismos biológicos distintos por trás de características aparentemente semelhantes.
O estudo permitiu criar o que os pesquisadores descrevem como assinaturas biológicas identificáveis por exames cerebrais.
Ao comparar os dados obtidos em camundongos com os exames humanos, a equipe encontrou os mesmos padrões em ambas as análises.
Além disso, regiões cerebrais associadas à hipoconectividade apresentaram maior presença de genes ligados à atividade sináptica, enquanto áreas hiperconectadas mostraram maior atividade de genes relacionados ao sistema imunológico.
Esse alinhamento entre genética, biologia celular e neuroimagem fortaleceu a confiabilidade dos resultados.
Os dois subtipos identificados representaram aproximadamente um quarto dos participantes com autismo incluídos na pesquisa. Isso significa que ainda existe uma parcela significativa da diversidade biológica do transtorno que permanece sem classificação.
Mesmo assim, os resultados apontam para uma possível transformação na forma como o autismo é estudado.
Atualmente, os diagnósticos são baseados principalmente em características comportamentais observáveis. No futuro, exames capazes de identificar diferenças biológicas poderão complementar essa avaliação, permitindo abordagens mais individualizadas.
Os pesquisadores também observaram que indivíduos com o padrão de hiperconectividade apresentaram, em média, indicadores ligeiramente mais elevados de gravidade do autismo em avaliações clínicas.
De acordo com os resultados publicados por Marco Pagani e colaboradores na revista Nature Neuroscience (2026), os padrões encontrados demonstram que o autismo não é uma condição biologicamente uniforme.
Embora novos estudos sejam necessários para identificar outros possíveis subtipos, a pesquisa abre caminho para uma compreensão mais detalhada do cérebro autista. A longo prazo, isso poderá contribuir para estratégias de acompanhamento e intervenções cada vez mais alinhadas às características biológicas de cada indivíduo.
Nova data do julgamento não foi anunciada, contudo a Corte deverá convocar a desembargadora Tânia…
Pena de detenção varia de seis meses a dois anos
Foram registrados dois acidentes de trânsito com dois feridos nas rodovias federais, além de resgate…
Especialistas alertam para riscos da automedicação
Pacientes terão atendimento integral no SUS
Deyvid Carneiro foi condenado em primeira instância. Parlamentar disse que aguarda julgamento com serenidade e…