Universidade Federal de Roraima - Foto: Arquivo/Roraima em Tempo
A estudante de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR) Vanessa Fernandes ganhou um prêmio pelo Manual de Comunicação LGBTI. Ela venceu na modalidade Edição de Livro do na Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) de 2022.
O Expocom é uma das exposições e premiações do Intercom. O prêmio é destinado aos melhores trabalhos experimentais produzidos exclusivamente por estudantes no campo da Comunicação. Agora, o projeto irá concorrer em nível nacional.
“Esta é minha primeira vez na Expocom Norte, então o nervosismo seria inevitável. Foi um projeto que nasceu durante a defesa do TCC do Fabrício Araújo e hoje rendeu este lindo fruto. Estou muito contente com essa vitória, que não é apenas minha, mas de todos que colaboraram na construção do Manual, da UFRR e principalmente da comunidade LGBTI”, explicou a estudante Vanessa Fernandes.
Para construir o Manual de Comunicação LGBTI, a estudante contou com a orientação da professora Drª Vangêla Maria Isidorio de Morais. O projeto foi desenvolvido na disciplina de Jornalismo Comunitário e se baseou no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do jornalista Fabrício Araújo.
“A elaboração do Manual LGBTI tem várias camadas de aprendizagem. A primeira reforça a importância de trazer esse tema para o interior do processo de formação dos jornalistas. A segunda camada nos diz que o modo de construir essa proposta é coletivo, com a atuação decisiva dos próprios acadêmicos. A terceira nos diz que é preciso circular as ideias que têm por propósito melhorar nossa relação com a diversidade de gênero. E nesse ponto, a premiação do manual é uma forma de dizer que estamos aprendendo. Para mim é uma alegria acompanhar essas iniciativas”, declarou a professora Drª Vangêla Morais.
O TCC analisa a cobertura do jornalismo policial em casos que envolvem pessoas da comunidade LGBTI (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e intersexuais).
Conforme Vângela, o objetivo do manual é ser um espaço de consulta rápida aos comunicadores, bem como provocar a discussão do tema no ambiente acadêmico.
“Oferecer um manual de consulta aos comunicadores no momento em que os profissionais de imprensa estiverem diante de uma cobertura de assuntos que envolvam a comunidade LGBTI para que façam dessa matéria, uma matéria respeitosa […] Um objetivo paralelo é o de levar os próprios estudantes de jornalismo no momento da sua formação, a discutir esse tema, a entender essa complexidade“, disse.
Conforme o jornalista Fabrício Araújo, ao estagiar na área da comunicação e observar o trabalho dos jornalistas, ele identificou a falta de tratamento humanizado e o sensacionalismo que reforçava estereótipos sobre o público LGBTI.
“Notei que isso ocorria majoritariamente na editoria de polícia, o que consegui comprovar durante a pesquisa com o levantamento das matérias publicadas entre 2013 e 2020. Esse foi o período de análise porque em 2013, Roraima teve a maior porcentagem de mortes violentas de LGBTIs e em 2020, foi o último ano inteiro antes de eu entregar o trabalho”, relatou.
Fabrício é pesquisador do projeto “LGBTI na editoria de polícia em Roraima: uma cartografia dos casos de crimes nos jornais virtuais do g1 e da folhaweb“, trabalho que inspirou a cartilha. Segundo ele, o material desenvolvido pela professora Vângela e pelos alunos do curso de comunicação é “mudança sem volta”.
“Eu não tenho dúvidas que é uma construção de ponte para um jornalismo mais humano, consciente e respeitoso. Espero demais que os jornalistas que estão na redação recebam esse material de mente e braços abertos”, ressaltou.
De acordo com a aluna Vanessa Fernandes, o jornalista tem o papel importante de levar a informação para todos, independente de raça, classe e gênero. Por isso, o profissional precisa ser orientado a fim de não perpetuar hábitos nocivos para a comunidade LGBTI.
“Há profissionais atuando hoje em dia que não tiveram essa orientação na universidade e continuam carregando em suas coberturas alguns hábitos ruins. Com o manual, acredito que será possível trazer, ao menos, uma discussão sobre o assunto dentro da nossa profissão”, disse.
Por Lara Muniz
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