Bombeiro militar da reserva é preso por tentativa de estupro, perseguição, violência psicológica e ameaça contra ex-companheira

A prisão ocorreu neste sábado, 1º, no bairro Raiar do Sol, em Boa Vista, no contexto de violência doméstica e familiar

Bombeiro militar da reserva é preso por tentativa de estupro, perseguição, violência psicológica e ameaça contra ex-companheira
Foto: Divulgação/PCRR

Um bombeiro militar da reserva, de 46 anos, foi preso preventivamente por tentativa de estupro, perseguição, violência psicológica e ameaça contra ex-companheira, 29 anos. A prisão ocorreu neste sábado, 1º, no bairro Raiar do Sol, em Boa Vista, no contexto de violência doméstica e familiar.

A delegacia de Polícia Civil de Caracaraí, conduziu a investigação. De acordo com o delegado Bruno Gabriel, que representou pela prisão preventiva do investigado, o relacionamento com a vítima era marcado por um ciclo de violência psicológica, controle, manipulação e sucessivas humilhações.

Conforme apurado, o homem demonstrava comportamento possessivo, fazia constantes acusações de traição, proferia xingamentos, expulsava a companheira de casa durante discussões. Ele chegou a colocar seus pertences em sacos de lixo. Apesar das frequentes separações e reconciliações, a vítima decidiu colocar um ponto final no relacionamento no início de julho deste ano.

O delegado Bruno Gabriel explicou que, após o término, o investigado passou a não aceitar o fim da relação e intensificou as perseguições. “A investigação demonstrou que a vítima tentou romper definitivamente o relacionamento. Mas o investigado passou a desenvolver uma sequência de condutas para controlar sua rotina e impedir que ela seguisse a vida. Os elementos reunidos mostram uma escalada da violência, que saiu das agressões psicológicas para episódios cada vez mais graves”, ressaltou.

Tentativa de estupro

No dia 8 de julho, o suspeito ligou para a mulher e pediu ajuda para aplicar um medicamento hormonal injetável, alegando que participaria de uma competição esportiva. Ela foi até o apartamento exclusivamente para realizar a aplicação. Após o procedimento, o investigado insistiu para ela permanecer no imóvel e passar a noite com ele, que seria uma “despedida”. Diante da negativa da vítima, passou a beijá-la contra sua vontade, empurrou-a sobre a cama, puxou seu short e tentou manter relação sexual mediante o uso de força física.

Ainda conforme a investigação, a vítima resistiu às agressões e conseguiu impedir a consumação do ato. Para deixar o apartamento em segurança, disse ao investigado que retornaria em outro momento, conseguindo sair do local sem novas agressões.

Perseguição

As investigações também apontaram que, após o término do relacionamento, o investigado passou a perseguir a ex-companheira de forma insistente. Quando bloqueado no WhatsApp ou nas redes sociais, utilizava transferências bancárias via PIX com valores simbólicos, como R$ 0,01, R$ 1,00, R$ 2,00 e R$ 5,00, inserindo ofensas, ameaças e xingamentos no campo destinado à descrição da operação, obrigando a vítima a visualizar as mensagens mesmo após os bloqueios.

Além disso, o investigado monitorava constantemente a rotina da vítima. Ele procurava informações sobre seus horários, perguntava a integrantes do grupo de corrida se ela participaria de eventos esportivos, buscava saber quem a acompanhava e comparecia aos locais frequentados por ela.

Em um dos episódios investigados, a vítima percebeu o veículo do investigado circulando próximo ao local onde caminhava com uma amiga. Inicialmente, ele alegou que estava apenas abastecendo o carro. Posteriormente, encaminhou um áudio admitindo que havia ido até o local apenas para verificar se ela estava correndo. A investigação também identificou que o investigado chegou a comparecer ao local de trabalho da vítima.

Histórico de violência com outra ex-companheira

Durante as diligências, os investigadores localizaram um boletim de ocorrência registrado em 2021 por outra ex-companheira do investigado. No documento, ela relatou ter sofrido violência psicológica, perseguições e chantagens emocionais semelhantes às apuradas no caso atual. Conforme o registro, o investigado ameaçava tirar a própria vida caso ela não retomasse o relacionamento e chegou a utilizar uma arma de fogo para intimidá-la durante um encontro. Embora a mulher tenha solicitado medidas protetivas na época, optou por não representar criminalmente. O documento foi anexado ao inquérito por apresentar características semelhantes às condutas atualmente investigadas.

De acordo com o delegado Bruno Gabriel, o conjunto probatório reunido pela Polícia Civil demonstrou que medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes para interromper a escalada da violência.

“As provas reunidas durante a investigação demonstraram um padrão de perseguição, controle, violência psicológica e intimidação que colocava a vítima em situação permanente de medo. Diante da gravidade dos fatos e do risco concreto de reiteração das condutas, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva, medida que foi deferida pelo Poder Judiciário”, afirmou.
Na decisão, a Justiça também determinou a suspensão da posse e do porte de arma de fogo do investigado, bem como o recolhimento de eventual armamento sob sua responsabilidade, além da manutenção do processo em segredo de justiça para preservar a intimidade da vítima.

Após ser localizado e preso, a polícia o conduziu à sede do 2⁰ Distrito Policial, onde teve a prisão preventiva formalizada. Ele deverá passar por audiência de custódia na manhã deste domingo, 2 de agosto, permanecendo à disposição da Justiça.

Fonte: Da Redação

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