Polícia

PF investiga militares do Exército por suspeita de agredirem venezuelanos

A Polícia Federal (PF) investiga militares do Exército Brasileiro por suspeita de agredir venezuelanos em um abrigo da Operação Acolhida.

Procurada, a Força-Tarefa disse que precisava de mais detalhes para comentar o caso. A PF disse que não se manifestaria. O Exército também não se posicionou. (Leia as notas no fim da reportagem)

Um documento do Ministério Público Federal (MPF) revela que um dos venezuelanos fez um boletim de ocorrência.

Segundo ele, a agressão foi no abrigo Tancredo Neves, em Boa Vista, pela Polícia do Exército. Conforme o documento, os militares agiram com brutalidade para “conter um tumulto”.

O abrigo está sob cuidados da Operação Acolhida. Atualmente, são 236 pessoas atendidas, ou seja, opera com 84% da capacidade.

Porém, ao chegar ao local, os agentes agrediram um grupo de venezuelanos “com cassetetes e murros nas costelas”. 

“Além disso, teria sido o [venezuelano] obrigado a assinar um papel que veio posteriormente tomar conhecimento de que se tratava de sua expulsão do abrigo, com a qual teria concordado”, detalha.

A Polícia Civil enviou o caso para o Ministério Público Federal em maio de 2020. Entretanto, até o momento, mais de um ano depois, não foi concluído.

Mesmo com o relato, o caso é tratado como “lesão levíssima”. Em junho de 2020, um procurador quis levar o caso para o Ministério Público Militar.

Contudo, a Câmara de Coordenação e Revisão decidiu que o MPF em Roraima cuidaria da investigação com a PF.

Operação Acolhida

Mas, a suposta agressão não é o único caso investigado pela Polícia Federal envolvendo a Operação Acolhida.

Outros documentos obtidos pelo jornal mostram que a PF investiga um militar da Operação Acolhida por por suspeita de tráfico de drogas.

De acordo com a PF, o militar seria responsável por enviar drogas de Boa Vista para o Rio de Janeiro. No entanto, não está claro como ele transportava a droga.

O documento também cita investigação de tráfico de pessoas, furto de notebook da PF que era usado no posto de triagem. Tem ainda declarações e documentos falsos entregues por imigrantes, e deportações por desobediência.

Citados

Procurado pela reportagem, o Exército Brasileiro disse que casos relacionados aos abrigos estão dentro das responsabilidades da Acolhida.

Por outro lado, a Força-Tarefa disse que não poderia comentar o caso da agressão por falta de informações. No entanto, não falou sobre o militar suspeito de tráfico.

Sobre os outros assuntos disse que as ações de segurança de fronteira estão sendo conduzidas pelo Ministério da Defesa. Já o furto de notebook a operação disse que desconhece.

Quanto às declarações e documentos falsos de imigrantes e as deportações por desobediência, informou que são de “competência da Polícia Federal”.

Por Redação

Samantha Rufino

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