Imagens de câmera de segurança na Av. Ville Roy - Foto: Reprodução
A Corregedoria-Geral da Polícia Militar de Roraima abriu inquérito para investigar a conduta de um aluno sargento durante o atendimento de um acidente que resultou na morte da técnica em enfermagem Patrícia Melo da Silva, em 5 de fevereiro.
A vítima dirigia em uma motocicleta na Avenida Ville Roy, em Boa Vista, quando foi atingida por uma caminhonete conduzida por uma jovem de 19 anos, filha do capitão da PM, Helton Jhon Silva de Souza. Testemunhas relataram que a motorista trafegava em alta velocidade e apresentava sinais de embriaguez.
Conforme documento de instauração do inquérito, ao qual o Roraima em Tempo teve acesso nesta quinta-feira (23), há indício de que o militar, à época cabo, agiu de forma omissa ao não realizar o teste do bafômetro e autorizar a retirada dos veículos antes da perícia. Além disso, ele ainda teria deixado de conduzir a condutora à delegacia, apesar de haver evidência do crime.
“A conduta indica possível favorecimento, além de inobservância de dever legal quanto à preservação do local, realização do teste de etilômetro e condução da envolvida à autoridade policial”, destaca.
O fato aconteceu no dia 5 de fevereiro, na avenida mais movimentada da capital de Roraima. Com o impacto da batida, o veículo da técnica de enfermagem foi arrastado por mais de 150 metros. Uma câmera de segurança registrou o acidente.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) prestou socorro à Patrícia Melo e a encaminhou ao Hospital Geral de Roraima (HGR). No entanto, ela morreu cerca de uma hora depois.
À época, a PM afirmou que os veículos envolvidos foram removidos do local original do acidente, o que teria inviabilizado a realização da perícia.
Diante do caso, o Ministério Público expediu uma recomendação ao Comando da Polícia Militar, ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RR) e à Guarda Civil Municipal para que o teste do bafômetro ocorra em todos os atendimentos de acidentes de trânsito, independentemente da existência de vítimas ou sinais de embriaguez.
Além disso, o órgão pediu abertura de inquérito para investigar a conduta do PM responsável pelo atendimento do acidente.
A estudante que dirigia a caminhonete envolvida no acidente é filha do capitão da PM Helton Jhon. Ele é réu pelo duplo homicídio dos produtores Flávia Guilarducci, de 50 anos, e Jânio Bonfim de Souza, de 57 anos. O crime aconteceu em 2024, no Cantá, na Vicinal do Surrão.
Conforme as investigações, o capitão esteve no local do crime no dia em que os assassinatos por conflito de terras ocorreram. A polícia então o prendeu após ele ter a voz identificada em um áudio gravado por Flávia durante o assassinato dela e do marido.
Fonte: Da Redação
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