Polícia

Suspeito de sequestrar jornalista é exonerado do alto escalão da PMRR

A Polícia Militar de Roraima (PMRR) exonerou o major Vilson Carlos Pereira Araújo de uma função comissionada no alto escalão da corporação.

O militar está preso no Comando de Policiamento da Capital (CPC) por suspeita de participar do sequestro e tortura do jornalista Romano dos Anjos.

O major tinha o cargo de assessor parlamentar do Gabinete do Comando Geral. O salário para exercer a função era de R$ 22 mil, conforme o Portal da Transparência.

Conforme o boletim interno da PMRR, o policial foi tirado do cargo no dia 20 de setembro, mas com efeitos retroativos desde o dia 16, mesmo dia da Operação Pulitzer, quando foi preso.

Denúncia

Entretanto, uma denúncia enviada ao jornal cita que, apesar de exonerado do cargo, o major ainda não passou pelo processo de agregação.

Ou seja, ele não foi retirado da escala hierárquica da corporação. De acordo com a denúncia, se isso não for feito, o comandante-geral, coronel Francisco Xavier, pode responder por improbidade administrativa.

O comandante nomeou Araújo ainda em dezembro do ano passado, ou seja, dois meses após o sequestro e a tortura do jornalista.

Até junho deste ano, a função não tinha diretrizes definidas. Por isso, a PMRR criou uma comissão para ajustar quais seriam as atribuições do cargo, o local de atuação, bem como as equipes subordinadas.

Além disso, Araújo também era presidente de Conselho Disciplinar, que julga outros militares suspeitos de cometer falha no exercício da profissão.

Prisão

Vilson Araújo está preso desde o dia 16 de setembro por ordem da juíza Graciete Sotto Mayor. De acordo com a Polícia Civil, Araújo faz pate de uma organização criminosa.

Naquele dia, a juíza emitiu sete mandados de prisão, sendo seis contra militares, e um para um ex-servidor da Assembleia Legislativa.

Já na segunda fase da Operação Pulitzer, no dia 1º de outubro, o deputado Jalser Renier (SD) foi preso juntamente com outros três policiais militares.  

Romano dos Anjos sofreu o sequestro no dia 26 de outubro de 2020. Amarrado e tirado de casa, o jornalista passou por horas de tortura. Os criminosos o abandonaram na zona Rural de Boa Vista.

Investigações

Em setembro, o Roraima em Tempo mostrou que Vilson Araújo, além de major da PMRR, é ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

De acordo com a Civil, Vilson foi responsável por organizar os militares que trabalharam fazendo a segurança privada do deputado federal Ottaci (SD), aliado de Jalser, quando concorria às eleições em 2020.

Conforme o inquérito, no dia do crime, em 26 de outubro, o major estava sem conexão de internet no celular. Porém, no dia seguinte, ele se conectou à torre de telefonia próxima à casa de Romano para monitorar a residência.

A Polícia Civil diz que, em depoimento, Araújo mentiu e falou que estava dormindo em casa no dia do atentado.

As investigações indicam que ele cometeu “corrupção passiva”, por coordenar e pagar os policiais para exercerem segurança privada.

Citada

A PMRR informou que abriu o processo de agregação do militar e segue os trâmites dentro dos prazos legais.

“Como os policiais militares deixaram de exercer as atribuições na Instituição, foram administrativamente exonerados das funções que exerciam e deixaram de receber as referidas gratificações”, disse.

Por fim, reafirmou o “compromisso com os valores e princípios éticos que sempre a nortearam”.

Por Redação

Bryan Araújo

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