Caso Romano: delegado não nega ameaça a Prola, se diz surpreso e cita passagem bíblica

Investigações do sequestro de Romano dos Anjos apontam que Herbert Cardoso interferiu na apuração do caso

Caso Romano: delegado não nega ameaça a Prola, se diz surpreso e cita passagem bíblica
Herbert Amorim se pronunciou na noite de ontem – Foto: Reprodução/Facebook Governo de Roraima

O delegado-geral da Polícia Civil de Roraima (PCRR), Herbert Amorim Cardoso, se manifestou sobre as acusações contra ele no inquérito do caso Romano dos Anjos. Ele não negou as informações sobre ter levado um “recado” com ameaça de morte para o secretário da Segurança Pública (Sesp), Edison Prola. A Polícia Civil e o delegado se posicionaram na noite de ontem (22).

Roraima em Tempo mostrou que, de acordo com o inquérito, o delegado atrapalhou as investigações do caso do jornalista. Ele fez mudanças no quadro de agentes que operavam na força-tarefa. 

Além disso, o documento afirma que ele levou um “recado” com ameaça de morte do deputado Jalser Renier (SD) a Prola. As informações são do depoimento de Edison, que constam em documentos oficiais do caso Romano dos Anjos, obtidos com exclusividade pela reportagem.

Ao se pronunciar nas redes sociais, Amorim apenas afirmou que sabia sobre as dificuldades de exercer a função de chefe na instituição. Contudo, ficou surpreso com o que ele chamou de “armadilhas e despeito”. Por fim, o delegado citou um trecho bíblico.

“Mas como diz a Bíblia no Salmo 91 versículo 7 ‘Ainda que mil caiam ao seu lado e dez mil morram ao seu redor, você não será atingido’”, mencionou.

Polícia Civil defende delegado

Já a Polícia Civil considerou que as acusações de embaraços na investigação contra Herbert são “consideradas caluniosas”. Também citou detalhe da logística, bem como a iniciativa de Amorim na criação da força-tarefa.

Além disso, a instituição justificou as mudanças de agentes feitas por ele, como necessárias devido ao grande número de pedido de férias de servidores no mês de em dezembro.

Com isso, ele inseriu novos profissionais para atuar no caso, entre eles, duas delegadas que ficaram responsáveis por coordenar as investigações.

“Então, visando atender a toda a sociedade que necessita dos serviços da Polícia Civil, de forma igualitária, foi retirada a exclusividade da força-tarefa, para que os policiais acumulassem os trabalhos investigativos do caso Romano dos Anjos com as investigações nas unidades policiais”, justificou.

Nesse sentido, a nota explica que o delegado que comanda o caso, João Evangelista retomou as investigações após o fim do prazo da portaria.

“Uma equipe de policiais atuou de forma inédita, com exclusividade por 223 dias e, o fato de passarem menos de 45 dias trabalhando acumulando os trabalhos com outras investigações, não prejudica a efetividade do serviço”, diz trecho da nota.

Por último, a Civil e o Governo de Roraima declararam que Amorim “é profissional exemplar, com mais de 17 anos de serviço prestados em prol da segurança pública de Roraima”.

Interferência de Jalser e delegado

Hoje a reportagem mostrou que Jalser Renier é o principal suspeito de mandar sequestrar e torturar o jornalista. Conforme detalhes do inquérito, o crime ocorreu após críticas feitas pelo apresentador em programas de TV e Rádio ao parlamentar.

O documento também detalha que uma organização criminosa especializada em espionagem, inteligência, logística e segurança foi responsável pelo crime. A maioria eram policiais militares que atuavam na Assembleia sob o comando de Jalser.

O inquérito revela que após a criação da força-tarefa, Jalser esteve no Palácio do Governo para se encontrar com o governador Antonio Denarium (PP) e exigiu o fim das investigações.

Depois disso, os delegados geral e adjunto da Polícia Civil, Herbert e Eduardo Wayner, se reuniram com o secretário de Segurança Pública, Edison Prola. Nessa ocasião, de acordo com o inquérito, Amorim levou o recado de Jalser para Prola.

“O delegado Herbert Amorim disse para o depoente [Edison Prola] que o deputado Jalser Renier havia dito o seguinte: ‘se essa investigação continuar, vai morrer gente’ […]”, cita o documento.

Ainda nesta semana, o presidente da Assembleia Soldado Sampaio (Pc do B) citou o encontro de Jalser e Denarium. Ele revelou que Jalser chegou a ameaçar o governador de morte se as investigações continuassem. No período, Sampaio era chefe da Casa Civil.

Jalser Renier negou todas as acusações. Durante sessão na Assembleia, o parlamentar afirmou ser vítima de uma armação política e que os policiais eram de seu convívio. Assegurou também que não seriam capazes de cometer o crime.

Caso Romano

O sequestro do jornalista Romano dos Anjos ocorreu em outubro de 2020. Na ocasião, homens encapuzados levaram ele de casa e o torturaram. Em seguida, os bandidos o abandonaram na região do Bom Intento, na zona Rural de Boa Vista.

Além disso, os criminosos também queimaram o carro dele. O apresentador estava com pés e mãos amarrados com fita adesiva, contudo conseguiu se soltar e um homem o encontrou.

No 16 de setembro, as Polícias Civil e Militar prenderam seis policiais envolvidos no sequestro durante a Operação Pulitzer. O Roraima em Tempo mostrou que os salários dos policiais lotados na Assembleia atingiam até R$ 11 mil.

Após a prisão, quatro dos policiais presos pediram habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Porém, o órgão negou a soltura dos envolvidos. As investigações sobre o caso seguem em curso.

Nota das redes sociais do delegado na íntegra

“Nunca fui ingênuo em achar que seria fácil ser Chefe de uma respeitável e séria instituição como a Polícia Civil de Roraima, onde combatemos diariamente e atuamos incisivamente contra vários tipos de criminosos, do pobre ao rico ‘poderoso’, mas o que surpreende é o fato de ser honesto, competente, profissional, técnico e ter reconhecimento no Brasil e no exterior causaria tanto incômodo, inveja, armadilhas e despeito. Mas como diz a Bíblia no Salmo 91 versículo 7 ‘Ainda que mil caiam ao seu lado e dez mil morram ao seu redor, você não será atingido'”.

Fonte: Da Redação

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