Política

CPI da Saúde: deputados retiram nomes de bucomaxilos de indiciamento

Os deputados estaduais da CPI da Saúde retiraram os nomes dos três bucomaxilos investigados por esquema de cirurgias dentro da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), da lista em que a comissão pede o indiciamento de 65 pessoas.

O pedido partiu da deputada Lenir Rodrigues (Cidadania) durante a apreciação do relatório final que ocorreu na tarde desta quarta-feira (8).

“Eu creio que os depoimentos não demostraram indícios suficientes para que nós pudéssemos indiciar no âmbito da CPI esses três profissionais aqui no estado”.

Além de Lenir, também votaram pela exclusão dos dentistas os deputados Renato Silva (Republicanos) e Evangelista Siqueira (PT). Apenas o deputado Nilton Sindpol (Patri) e o relator, deputado Jorge Everton (sem partido) votaram contra.

Os bucomaxilos investigados são Rodrigo Acioly, Dennys Dinely e Daniel do Carmo.

Durante as oitivas, o relator Jorge Everton fez perguntas à então coordenadora do Centro de Especialidades Odontológicas do Estado, Silvana Ruiz. Ele questionou se havia padrinhos políticos. Ela disse que sim e citou o nome do senador Mecias de Jesus.

Em seguida, Silvana revelou que a enfermeira Roberta Acioly, esposa do bucomaxilo Rodrigo Acioly é suplente de Mecias de Jesus no Senado.

Esquema

De acordo com o relatório da CPI, o esquema funcionava da seguinte forma: com o pretexto da falta de materiais no Hospital Geral de Roraima (HGR), as cirurgias deixavam de ser realizadas pelo SUS. Dessa forma, os pacientes recorriam ao Poder Judiciário.

Para autorizar o procedimento o Ministério Público Federal (MPF) solicitava três orçamentos de clínicas diferentes. Ocorre que todas as estimativas que chagavam ao órgão eram provenientes das clínicas desses mesmos três profissionais.

Conforme o relatório da CPI da Saúde, os preços chegavam a ser três vezes maiores que os valores praticados em outros locais. Uma das testemunhas relatou como acontecia o esquema.

“[…] o paciente chegava, precisava da cirurgia, diziam que não tinha material. Às vezes, realmente não tinha o material, mas às vezes tinha. Diziam que não tinha material para operar, mandavam o paciente procurar a Justiça. O paciente procurava a Justiça e aí eles faziam o orçamento. Porque, na justiça, você tem que dar três orçamentos (…) a gente via o seguinte, quando a gente via os pacientes, no final, os pacientes já apareciam com esses orçamentos. Não sei… sempre das clínicas particulares deles, não era nem de dentro do HGR. Eu não sei como te dizer se além da doutora Jeanne, ia para outro lugar, não sei te dizer.

A testemunha também revelou como os dentistas combinavam os valores das propostas. Isso para que sempre um deles realizassem os procedimentos.

Mas só sei que a gente ficava sabendo, quando aparecia os três orçamentos, sempre dos três. Aí, um colocava um valor, vou dizer, um valor fictício, de R$ 60 mil, o outro de R$ 64 e o outro de R$ 68 mil. Era sempre assim para cair em um dos três”.

Bucomaxilos faziam tratamentos estéticos no HGR

Ainda de acordo com o apurado, os dentistas faziam tratamentos estéticos no HGR, mas não realizavam as cirurgias de emergência. Assim como o caso de um senhor que tinha fratura na face inteira.

A bucomaxilo Juliene Monauer é outra testemunha. Ela atua no centro de cirurgias do HGR. Segundo ela, uma cirurgia que custaria em torno de 20 mil reais, custou ao Estado mais de 500 mil reais.

Tanto Juliene como Silvana contaram que receberam ameaças e foram perseguidas por várias vezes. Elas também disseram que foram avisadas de que havia corrupção no setor. Juliene também coordenou o Centro de Especialidades Odontológicas.

Fonte: Roraima em Tempo e Rádio FM93

Rosi Martins

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