Governador de Roraima, Antonio Denarium e sede da ALE-RR - Foto: Reprodução
Durante sessão desta terça-feira (4) na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), deputados defenderam o governador Antonio Denarium (PP) de ação que pode resultar em cassação por doação de cestas básicas em ano eleitoral.
O presidente da Casa, Soldado Sampaio (Republicanos), foi o primeiro a se pronunciar contra a cassação do governador. Em seguida, comentaram sobre a ação o deputado Chico Mozart (PP), Gabriel Picanço (Republicanos), Marcelo Cabral, Coronel Chagas (PRTB), Aurelina Medeiros (PP) e Marcos Jorge (Republicanos).
O processo, movido pelo partido Avante, trata-se de conduta vedada, que é quando um gestor tem limitações de ações durante o ano eleitoral. Um dos motivos é para que haja uma concorrência justa no pleito eleitoral.
Conforme a acusação, o governador criou o programa de distribuição de renda Cesta da Família em janeiro de 2022, ano das eleições. O projeto já existia anteriormente, mas com outro nome e número exponencialmente inferior de beneficiários.
O avante alega que, ao criar o novo nome para o programa, que antes se chamava Renda Cidadã, o Governo, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) aumentou o número de beneficiários de 10 mil para 50 mil.
Por outro lado, a defesa de Denarium disse que não houve a criação de um programa, e que “apenas houve um mero alinhamento estabelecido entre o programa social Renda Cidadã e o programa Cesta da Família”, defendeu o advogado de defesa Francisco Chagas.
O Ministério Público Eleitoral (MPE), no entanto, não aceitou o argumento e se posicionou pela procedência da ação que pede no Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) a cassação do diploma, a inelegibilidade e pagamento de multa para o governador.
O TRE-RR iniciou o julgamento no dia 30 de maio. Na ocasião, tanto a defesa como a acusação, assim como o MPE apresentaram seus argumentos. Desse modo, o juiz relator, Felipe Bouzada votou pela procedência da ação com a determinação da realização de novas eleições.
Em seguida, o juiz Almiro Padilha votou com o relator, mas logo o juiz Francisco Guimarães pediu vistas e Padilha cancelou o voto.
Logo depois, a juíza Joana Sarmento decidiu antecipar o voto e ficou de acordo com o relator. Ou seja, votou pela cassação.
A presidente do TRE-RR, juíza Elaine Bianchi abriu vistas de 10 dias. O julgamento então foi retomado no dia 26 de junho, contudo, foi suspenso mais uma vez com um novo pedido de vistas do juiz Ataliba de Albuquerque. A data para a retorno do julgamento ainda será marcada.
Roraima já teve três governadores cassados. Os motivos incluem gastos ilícitos e abuso de poder durante a campanha eleitoral.
Flamarion Portela foi o primeiro. Em 2004, ele teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico na campanha eleitoral de 2002, quando foi candidato à reeleição pelo PT.
O vice-procurador-geral eleitoral da época, Roberto Gurgel, pediu a cassação de Portela ao TSE. Conforme ele, o então governador utilizou programas sociais para se promover eleitoralmente.
É que Flamarion aumentou o valor do Vale Alimentação, além de conceder anistia de débitos habitacionais de imóveis vendidos pelo extinto Banco de Roraima. Tudo isso em período de campanha.
Atualmente, Portela é secretário-chefe da Casa Civil no governo de Antonio Denarium (PP), que enfrenta pedido de cassação por doação de cestas básicas em ano eleitoral.
O ex-governador José de Anchieta foi cassado duas vezes. A primeira, em setembro de 2011 e a segunda em dezembro do mesmo ano.
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR) decidiu pela cassação de Anchieta em setembro por uso indevido de veículo de comunicação estatal. No caso, a Rádio Roraima.
Conforme a denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF), um radialista, que era servidor público lotado na Companhia de Desenvolvimento de Roraima, veiculou diariamente programa favorável a Anchieta e com conteúdo negativo a Neudo Campos, seu principal adversário nas eleições de 2010.
Já em dezembro, ele foi cassado pelo crime eleitoral de arrecadação e gastos ilícitos de campanha. Anchieta comprou 45 mil camisetas amarelas (cor da sua candidatura), antes do período eleitoral, por R$ 247.500,00. O que é proibido.
Além disso, ele contratou pessoal de forma irregular e fez o pagamento em espécie. A lei eleitoral também proíbe essa prática. O então governador respondeu ainda processo por movimentação financeira irregular para despesas com pessoal que somaram R$ 5,5 milhões.
Anchieta recorreu nas duas cassações e continuou governando por meio de liminar até abril de 2014, quando se desincompatibilizou do cargo para concorrer ao Senado.
Em novembro de 2014, Chico Rodrigues ocupava o cargo de governador quando foi cassado. Ele era o vice e assumiu o Governo após a saída de Anchieta.
A cassação também se refere às eleições de 2010 por gastos ilícitos durante a campanha eleitoral, quando Rodrigues era candidato à vice-governador, junto a Anchieta.
O então governador, no entanto, recorreu da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR), mas o órgão manteve.
Em seguida, Chico Rodrigues entrou com liminar junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deferiu o pedido. Ele então reassumiu o Governo, onde se manteve até o fim do mandato.
Fonte: Da Redação
Policiais também apreenderam outros dois objetos perfurocortantes
Conforme relato, situação dura mais de dois anos
Envio da declaração começa na próxima segunda (23)
Evento ocorre no dia 21, em Boa Vista e Rorainópolis, com palestras, painéis e atividades…
Escritor estadunidense Jay Edwards irá conduzir o evento no dia 31 deste mês, na sede…
Crédito consciente é aquele usado de forma planejada, responsável e alinhada à realidade financeira da…