Dois pontos de protesto são registrados em Roraima - Foto: Nailson Wapichana/Rede Wakywai CIR
Mais de 2 mil indígenas de Roraima retomaram os protestos contra o “Marco Temporal”. O julgamento está na pauta do Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde de hoje (1º).
De acordo com o Conselho Indígena de Roraima (CIR), os atos ocorrem na BR-174, na Comunidade Sabiá, região São Marcos, em Pacaraima, e na BR-432, região Serra Lua, na Comunidade Tabalascada, no Cantá.
Conforme o coordenador geral do CIR, Edinho Batista, os indígenas fazem ato simbólico com danças e falas de lideranças.
A mobilização ocorre em apoio ao protesto de Brasília, chamado “Acampamento Pela Vida”, organizado por etnias de todo o Brasil. Roraima também enviou 26 líderes.
“A manifestação teve início no dia 22 de agosto. Dessa forma, nos unimos contra o ‘Março Temporal’, de maneira pacífica. Muitos não conseguiram ir a Brasília por causa da logística, mas estão protestando na própria região”, disse.
Edinho Batista também falou que o “Marco Temporal” representa um “retrocesso”. Ou seja, os indígenas querem mostrar que estão presentes e não aceitam a nova legislação de demarcação de terras.
“Nossos direitos são originários. Quando o Brasil foi invadido os indígenas já estavam e estão aqui. Não somos invasores. Além disso, estamos preocupados com o mundo inteiro”, declarou.
O acampamento ocorre em Brasília em meio ao julgamento da ação originária de Santa Catarina. O processo tem repercussão geral, ou seja, vale para todo o país.
Lideranças de 170 povos estão reunidos próximo à Praça dos Três Poderes. No total, cerca de seis mil pessoas estão no protesto.
O movimento é feito desde 2004. No entanto, neste ano, a principal pauta é o marco, que define que os povos só terão direito à demarcação das terras que já estavam ocupadas em outubro de 1988.
Por outro lado, os indígenas falam que foram expulsos das comunidades antes desse período.
O ministro relator, Edson Fachin, acompanha o entendimento dos povos e já votou contra o marco. Do mesmo modo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) também segue essa linha de raciocínio.
Por Yara Walker
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