Política

Presidente do TRT restabelece liminar que suspende demissões de concursados da CERR

O presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11), desembargador Jorge Alvaro Marques Guedes, restabeleceu a liminar que suspendeu as demissões dos servidores concursados da Companhia Energética de Roraima (Cerr). Com isso, a manutenção do vínculo dos trabalhadores concursados deve ocorrer até o julgamento do mérito da ação civil pública. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Roraima (Stiurr) é quem move a ação.

O magistrado também manteve a determinação para que o Governo do Estado apresente um plano de regularização do passivo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Da mesma forma, informe as eventuais medidas de recolocação dos servidores públicos em outros órgãos da administração indireta. Conforme a decisão do dia 24 de junho, o prazo é de 5 dias úteis.

O que diz a decisão

Na decisão, o presidente do TRT11 destaca que a Cerr descumpriu obrigações legais mínimas, como por exemplo, o recolhimento do FGTS e das contribuições previdenciárias. Sendo assim, prejudicial ao acesso dos trabalhadores a direitos rescisórios e básicos de subsistência. “A medida liminar possui caráter temporário e visa resguardar o mínimo existencial dos empregados públicos, sem comprometer o cronograma legal de liquidação da empresa”, afirmou o magistrado.

Além disso, a decisão também reverte parcialmente um despacho anterior, proferido em plantão judicial, que havia permitido as demissões. O presidente do TRT11 reconheceu a competência para reavaliar o caso e considerou que a manutenção dos empregos é “uma ação equilibrada diante da ausência de garantias aos trabalhadores”.

Para o STIURR, a decisão representa uma vitória importante diante do cenário de insegurança vivido pelos servidores da Cerr. “A Justiça reconheceu que não se pode liquidar uma empresa pública ignorando os direitos básicos dos seus trabalhadores. Essa é uma conquista da categoria, mas também uma medida de justiça social”, avaliou o presidente do sindicato, Oriedson Medeiros.

Além disso, Medeiros ressalta que, de acordo com a lei 1.666/2022 e emenda constitucional 57/2017, os servidores concursados da Cerr continuam, após a liquidação da companhia, no quadro em extinção do Executivo. O que impede uma demissão sumária por parte dos gestores.

A Ação Civil Pública continua em tramitação na 1ª Vara do Trabalho de Boa Vista. Uma audiência de justificação acontecerá na tarde desta segunda-feira 30, às 17h.

Fonte: Da Redação

Gabriel Mello

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