Política

Sampaio diz que Jalser pediu ao governador fim de inquérito sobre sequestro de jornalista

O presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio (PC do B) disse hoje (21) que Jalser Renier (SD) pediu fim à força-tarefa que investiga o sequestro do jornalista Romano dos Anjos.

De acordo com o parlamentar, o pedido ocorreu em novembro de 2020, um mês depois do crime contra o apresentador. As declarações foram dadas na tribuna da Casa.

Contudo, na sessão, Jalser negou as acusações. “Vossa excelência faltou com a verdade”, resumiu. Mais cedo, ele defendeu os militares durante pronunciamento na Casa.

À época, Sampaio era chefe da Casa Civil. Ele disse que recebeu Jalser junto com os militares. O presidente fala que em “tom desesperador” o político pediu que o governador extinguisse a força-tarefa que conduzia o inquérito.

“Ministério Público, estou à disposição para afirmar. Espero que Denarium seja macho para sustentar isso que estou falando”, disse, ao acrescentar que orientou Denarium a reforçar a segurança pessoal.

Sampaio fala em monitoramento

O sequestro do jornalista foi um dos assuntos do Plenário. Anteriormente, o deputado Nilton do Sindpol (Patri) disse que pedirá a cassação de Jalser, se ele for preso.

Por outro lado, Jalser rebateu e falou que Nilton armou, junto com o delegado João Evangelista, para incriminá-lo.

Semana passada seis militares foram presos por suspeita de envolvimento no caso. Além disso, um ex-servidor da Casa também é alvo do inquérito.

Conforme Sampaio, assim que assumiu a presidência, em janeiro deste ano, desfez o que chamou de “um trabalho de inteligência” a serviço de Jalser.

“Para monitorar seus adversários, para acompanhar, para fazer ‘arapongagem’ dos adversários. Não é a primeira vez que falo isso. Falei que estava sendo monitorado 24h e levei o nome do policial ao processo [do caso Romano]”, falou.

De acordo com o presidente, ele entregou imagens e identificação de veículos à Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) para que investigasse o monitoramento.

Logo depois, Sampaio diz que exonerou todos os militares, bem como os servidores envolvidos nesse sistema de inteligência.

“O histórico de agressão e mau uso do recurso público, e a forma como [Jalser] conduziu essa Casa, todo mundo conhece. Espero que ele não esteja envolvido nessa tramoia”, comentou.

Jalser

Em seguida, Jalser se defendeu, disse que vai provar corrupção na gestão de Sampaio. Além disso, reforçou que não concorda com os tópicos abordados sobre ele.

“No pior momento de sua vida, vossa excelência me procurou para aproximação com o governo. Eu lhe acolhi, e levei ao governador, e o governador o convidou para ser chefe da Casa Civil”, lembrou.

Conforme Renier, Sampaio foi covarde por não esperar o tempo que ele tinha delimitado para a nova eleição da mesa diretora em janeiro.

Por fim, disse que sempre procurou “fazer o bem para as pessoas, nunca persegui funcionários, sempre tratei parceiros como parceiros, aliados como aliados”.

Citado

O Governo de Roraima lamenta a postura do deputado Jalser Renier e reitera que toda a investigação correu em segredo de justiça, com a finalidade de elucidar o crime e não de coagir ou insinuar contexto político ou de qualquer outra ordem.

Ademais, a operação que gerou busca, apreensão e prisões foi coordenada pelo Ministério Público que além de ter prerrogativa para a ação ainda goza de ótima reputação junto à população.

No mais, o Governo de Roraima acredita na justiça e no trabalho dos profissionais que buscam elucidar de uma vez por todas esse crime que gerou comoção na sociedade e reitera sua linha em defesa do diálogo e dos meios democráticos de discussão, condenando todo e qualquer gesto truculento.

Por Redação

Josué Ferreira

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