Foto: Divulgação/ Pollyanna Maliniak/ALMG
O crescimento dos registros de maus-tratos contra cães e gatos no Brasil levou o Senado Federal a incluir, entre as pautas prioritárias, projetos de lei voltados à proteção animal.
Casos de extrema violência, como enforcamento, mutilação, espancamento e uso de armas, têm se tornado cada vez mais frequentes. Um dos episódios recentes que ganhou repercussão nacional foi o do cão Orelha, um cachorro comunitário torturado na Praia Brava, em Florianópolis (SC).
Além disso, autoridades alertam para a crescente exposição de maus-tratos nas redes sociais, impulsionada por grupos de ódio que incentivam a tortura de animais, o que tem reflexo direto no aumento de processos judiciais.
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra um avanço significativo nas ações judiciais baseadas na Lei de Crimes Ambientais.
Em 2025, foram 4.919 processos envolvendo maus-tratos a animais, contra 4.057 em 2024, um crescimento de aproximadamente 21%.
Na comparação com 2020, o aumento é ainda mais expressivo: cerca de 1.900%, evidenciando a escalada da violência contra animais no país.
Somente em 2026, mais de 20 projetos de lei relacionados à causa animal foram protocolados no Senado. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) é assim autora de quatro propostas.
Entre elas, o Projeto de Lei que cria o Sistema Nacional de Prevenção e Detecção de Maus-Tratos a Animais (SINPDM). O objetivo é apoiar a identificação, prevenção e repressão de condutas violentas contra animais.
O projeto também propõe alterações na Lei 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, para determinar que adolescentes envolvidos na morte de animais sejam submetidos à avaliação psicológica especializada, enquanto pais ou responsáveis participariam de programas educativos sobre bem-estar animal e prevenção da violência.
Na justificativa, a senadora destaca que a violência contra animais pode indicar padrões comportamentais preocupantes, defendendo o fortalecimento da abordagem psicossocial como forma de interromper ciclos de violência e promover uma cultura de respeito à vida.
Outro projeto em tramitação é o PL de autoria do senador Bruno Bonetti (PL-RJ). Ele que propõe a criação de um cadastro nacional de pessoas responsabilizadas por maus-tratos a animais.
Por fim, a iniciativa busca reduzir a reincidência e ampliar a responsabilidade de quem cria, comercializa ou adota animais.
Em pronunciamento no Plenário, o senador afirmou que a sensação de impunidade não pode prevalecer. Segundo ele, quando a punição não é suficiente para coibir novos crimes, a Justiça falha, e a proposta surge como um caminho para transformar a indignação social em políticas públicas estruturadas.
Fonte: Agência Senado
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