Servidores públicos estaduais de Roraima realizam uma paralisação nesta terça-feira, 31, no Centro Cívico de Boa Vista. O ato reúne diferentes categorias que cobram do Governo a Revisão Geral Anual (RGA) considerada justa.
O diretor-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Roraima (Sinter), professor Márcio de Jesus, afirma que o ato ocorre após meses de negociação sem acordo.
“Importante que a sociedade civil compreenda que, até chegar nesse ato, já houve meses de negociação. […] nós chegamos à conclusão que toda a defasagem gira em torno de 39,22%. Porém, os Sindicatos se reuniram e resolveram cobrar somente 16%. […] O Governo […] apresentou 5,04%. Nós entedemos que isso não chega nem perto da defasagem […] porque só a inflação desse ano é 4,26%”, destacou.
Conforme ele, os sindicatos ainda apresentaram uma contraproposta de 11%, que não foi considerada. Agora, Márcio disse que a categoria espera pela retomada do diálogo com a mudança no comando do Executivo Estadual. “Nós esperamos que o Edilson Damião […] reabra a mesa de negociação e responda a nossa contraproposta”.
Em nota (na íntegra ao final da matéria), o Governo de Roraima informou que Damião vai se reunir com representantes das categorias para dar continuidade ao diálogo e buscar o entendimento necessário, “dentro das possibilidades legais e orçamentárias do Estado”.
Outras demandas
Além da pauta salarial, outras categorias levaram demandas específicas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual de Roraima (Sinduerr), professor Francisco Leidens, destacou problemas estruturas e administrativos na instituição. Ele citou, por exemplo, a precariedade nos prédios, falta de assistência estudantil e dificuldades enfrentadas por alunos.
“O prédio aqui de Boa Vista onde ocorre as aulas é um prédio alugado, que não foi necessariamente pensado para receber alunos. […] No interior hoje a gente só atua em Boa Vista e em Rorainópolis, e o prédio lá não está adequado. Tem muitos laboratórios que começaram a reforma e ainda não concluíram. Os alunos também. A questão da permanência dos alunos é complexa. Não há uma assistência estudantil, eles não têm uma área de convivência. […] Uma universidade pública tem que dar conta disso, tem que fazer um ambiente favorável para a permanência desses alunos”, ressaltou.

Além disso, a presente da Associação dos Policiais e Bombeiros Militares de Roraima (APBM), Quésia Mendonça, também cobrou valorização da categoria. “Nós estamos cumprindo com a nossa missão, com o nosso compromisso, mas está faltando do Estado a valorização desse material humano, que são aqueles militares”,
De forma simbólica, os manifestantes posicionaram cruzes, bonecos e até um caixão no gramado do Palácio. De acordo com a entidade, as imagens representam policiais e bombeiros militares que deixam seus lares todos os dias mesmo pondo em risco a própria vida.

Nota do Governo de Roraima
O Governo de Roraima informa que mantém diálogo permanente com todas as categorias profissionais do Estado, sempre aliado à responsabilidade na gestão das contas públicas.
Em relação à mobilização registrada nesta terça-feira, 31, o Executivo estadual reafirma que respeita o direito de manifestação dos servidores e segue aberto ao diálogo para construção de soluções equilibradas.
Destaca ainda que o governador Edilson Damião irá se reunir com representantes das categorias para dar continuidade ao diálogo e buscar o entendimento necessário, dentro das possibilidades legais e orçamentárias do Estado.
A gestão tem adotado medidas responsáveis que garantem a valorização do servidor público sem comprometer o equilíbrio fiscal. Nesse sentido, a Revisão Geral Anual proposta para 2026 é de 5,04%, percentual acima da inflação do período, estimada em 4,26%, assegurando ganho real aos servidores.
A proposta também está em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal, com a despesa de pessoal projetada em 46,55%, dentro do limite prudencial.
O Governo reforça o compromisso com a valorização do servidor público, a responsabilidade fiscal e a continuidade dos serviços essenciais prestados à população.
Fonte: Da Redação


