Política

‘Vagabundo!’, diz amigo de Bolsonaro sobre Denarium estender decreto de calamidade por Covid-19 em Roraima; veja vídeo

Um vídeo que circula nas redes sociais nesta quarta-feira (06) mostra o amigo do presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-policial militar Fabrício Queiroz, criticando o governador Antonio Denarium (PP) devido ao decreto de calamidade por Covid-19.

A renovação do decreto ganhou repercussão nacional devido o estado, assim como todo o país apresentar redução drástica em casos e mortes pela doença.

“O Brasil, o ministro da Saúde e o presidente acabando, encerrando a pandemia e você decretando aí pandemia querendo mais dinheiro, não é?”.

Em seguida, em tom de deboche, o ex-policial exclama um sonoro “vagabundo!”. Confira o vídeo:

Queiroz também critica Denarium pelo montante de recursos federais que ele vem gastando com a proximidade das eleições deste ano.

“Governador Denarium segurou dinheiro da pandemia, segurou boletim e o nosso presidente Bolsonaro mandou muito dinheiro para você. Agora que é ano eleitoral o dinheiro aparece. E tá fazendo a onda agora para tentar ser reeleito, não é?”, argumentou.

O homem diz ainda que Denarium se aproveitou da popularidade do presidente em Roraima para conseguir eleito em Roraima.

“Mais um que surfou na onda Bolsonaro, foi eleito e a máscara caindo agora… Você não vem nessa onda mais não. Tu morre na praia. Tu vai morrer afogado na praia”, disse.

A redação procurou a assessoria do governador Antonio Denarium e aguarda resposta.

Entenda

No dia 8 de março, a Assembleia aprovou, a pedido do governador Antonio Denarium a extensão do decreto de calamidade até 31 de dezembro.

O decreto estava em vigor desde março de 2020, com o intuito de assegurar ações de combate aos impactos causados pela pandemia.

Verbas da Covid e Escândalos

Com a continuidade da calamidade, o governo fica apto a receber verbas da Covid-19 do Governo Federal. Além disso, também pode receber custeamento de leitos de UTI, entre outros benefícios financeiros.

Contudo, a Secretaria de Saúde (Sesau), responsável por gerenciar os recursos da pandemia, é alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por desvio de verbas justamente da pandemia.

Em 2020, por exemplo, a Polícia Federal (PF) realizou a Operação Desvid-19, em que flagrou o senador Chico Rodrigues (DEM) com R$ 33 mil na cueca. A PF indiciou o senador pelo caso.

A Controladoria Geral da União (CGU), suspeita que Chico Rodrigues participou de um esquema armado para o desvio de cerca de R$ 20 milhões da Sesau.

A Sesau é alvo de investigações, sobretudo, por suspeita de contratos ilegais para desviar o dinheiro público.

Também em 2020, a PF deflagrou a Operação Vírion que apura lavagem de dinheiro. A suspeita, é de um total de R$ 20 milhões de desvio.

A polícia cita que as fraudes começaram em 2019, já na gestão de Denarium. Chico Rodrigues (DEM), Mecias de Jesus (Republicanos) e Telmário Mota (Pros) fazem parte dos esquemas, de acordo com a PF.
Telmário, inclusive, acionou a Justiça contra jornalistas que publicaram reportagens sobre o caso. Contudo, perdeu a ação.

Fim da pandemia de Covid

Antes de os deputados aprovarem a continuidade do decreto em Roraima, o Ministério da Saúde já havia anunciado que estudava o rebaixamento do status da pandemia para endemia no país.

Após a aprovação do decreto de calamidade, o governador resolveu fechar o Hospital de Retaguarda, exclusivo para pacientes de Covid-19.

Da mesma forma, a Sesau também decidiu transferir o atendimento dos casos suspeitos do HGR para o Pronto Atendimento Cosme e Silva, no bairro Pintolândia. Por fim, Denarium revogou o decreto que exigia o uso de máscaras em locais fechados.

Além disso, os números de casos e mortes por Covid-19 haviam reduzido consideravelmente. Por outro lado, este é o oitavo dia consecutivo que Hospital Geral de Roraima (HGR) não registra internações novas em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os dados são o boletim desta terça-feira (05) de abril.

Justiça derrubou o decreto

Nessa terça-feira (05), a Justiça de Roraima determinou a suspenção do decreto de calamidade em Roraima. Sendo assim, o juiz Aluizio Ferreira Vieira pediu urgência na notificação enviada à Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) e ao Pálácio do Governo.

O magistrado entendeu que não há cenário que justifique a manutenção do decreto. Dessa forma, entre as medidas tomadas pelo próprio governo, ele citou a revogação do decreto estadual que obrigava o uso de máscaras.

“Primeiro, em razão das outras atitudes tomadas pelo Poder Executivo Estadual que dão a entender que o combate à Pandemia está, senão no fim, próximo ao fim, sendo que uma das únicas medidas sanitárias ainda vigentes era o uso de máscara em locais fechados, que no dia de ontem, por meio do Decreto n. 31.883-E, de 04 de abril de 2022, deixou de ser obrigatório”.

Do mesmo modo, o magistrado considerou a liberdade de gastos públicos que o decreto de calamidade traz, bem como a ausência de pressupostos que justifiquem a extensão por mais um ano.

“Em outras palavras, decretar estado de calamidade pública autoriza o Chefe do Poder Executivo a adotar política fiscal e financeira para o combate a Pandemia. Ou seja, não é necessário que se observe a Lei de Responsabilidade Fiscal para efetuar os gastos. Embora os anos de 2020 e 2021 tenham sido desafiadores aos governantes, no que diz respeito ao combate dos efeitos diretos e indiretos que o Coronavírus causou, a princípio, não é o que se depreende neste 2º bimestre do ano de 2022”.

Fonte: Da Redação

Rosi Martins

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