Terra Indígena Yanomami - Foto: Júnior Herukari (Condsi-YY)
O presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Yek’wana (Condsi-YY), Júnior Hekurari, criticou os esclarecimentos da União sobre a saúde Yanomami ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi dada ao Roraima em Tempo nesta quarta-feira (24).
A manifestação do Governo Federal ocorre após pedido do ministro Luís Roberto Barroso para que prestasse informações sobre a situação do povo Yanomami.
No documento, a Advocacia Geral da União (AGU) informou que o Ministério da Saúde repassou mais de R$ 181 milhões ao Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (DSEI-YY) entre 2020 e 2021.
Conforme Hekurari, mesmo com o envio dos recursos, a Terra Indígena (TI) Yanomami enfrenta um crescimento no número de mortes por malária e desnutrição. Além disso, diz que falta profissionais para atender a população e comentou sobre a possibilidade de recursos mal aplicados.
“Eu conheço a realidade e o sofrimento do povo Yanomami e mais uma vez o Governo Federal está mentindo. A menos que agentes públicos tenham desviados estes recursos. Com esse valor era pra ter uma saúde melhor de qualidade”, disse.
Além dos valores, a União afirmou ao STF que pretende desenvolver medidas de apoio na TI. Entre elas estão a entrega de sachês de suplemento alimentar para crianças com déficit nutricional, ação de distribuição de alimentos e testagem em massa para malária.
“Isso vai demorar muito! Queremos para ontem, já enviaram recurso, mas onde está? Estamos morrendo, a malária está para todos os lados, assim como a desnutrição. Não tem nem combustível para os profissionais trabalharem”, cobrou Hekurari.
Desde outubro deste ano, o órgão denuncia o avanço da doença no território indígena à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e ao Ministério Público Federal (MPF).
Na ocasião, um homem de 50 anos morreu com malária na comunidade Macuxi Yano. Conforme a denúncia, a morte ocorreu por negligência, pois o Dsei-YY retirou as equipes médicas do local, sem diálogo com a comunidade.
Em seguida, na última semana, o Condsi-YY denunciou duas mortes de crianças com malária por falta de assistência médica.
Conforme o MPF, no início de 2021 o número de casos de mortalidade infantil foi de 133 para cada mil nascimentos, sendo a maioria por malária.
Assim, em menos de dois anos, a Terra Yanomami registrou cerca de 44 mil casos da doença na população. De acordo com o MPF, somente em 2020, a região teve 47% de todos os casos de malária em Terras Indígenas brasileiras.
Por outro lado, no dia 15 deste mês, o MPF solicitou à Sesai e Dsei-YY um plano de reestruturação da saúde dos povos indígenas, no prazo de 90 dias.
Segundo o Ministério os órgãos receberam cerca de R$ 190 milhões para prestação de serviços nos últimos dois anos. Contudo, a saúde indígena apresentou pioras nos indicadores.
Três dias após o pedido, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Governo Federal detalhe, no prazo de cinco dias, a situação dos indígenas. O STF também pediu que o Executivo assegure condições de saúde às comunidades.
Fonte: Da Redação
Romance policial de Luciana de Gnone é inspirado na história real da escrivã Gislayne de…
Gestão divulga dicas para os usuários recuperarem a conta na plataforma e para prevenção contra…
Obra tem mais de 800 metros de extensão e representa um importante investimento em urbanismo e infraestrutura
Em seu primeiro dia como governador, Soldado Sampaio nomeia mulheres no comando da PM, Secretaria…
Genitora afirmou que criança caiu da rede mas laudo médico constatou marcas de agressão física,…
Edinaiana Francini da Silva Souza, 37 anos, é apontada como principal responsável pelo ponto de…