Município mais indígena do Brasil, Uiramutã, ao Norte de Roraima, comemora o Dia dos Povos Indígenas, neste domingo (19), com programações culturais diversificadas, exposições e atividades esportivas. Mas a data também funciona como pausa necessária para a reflexão sobre ações, valores e o futuro dos povos originários.
Na comunidade indígena São Francisco, localizada na sede do Uiramutã, moradores abriram as comemorações no malocão, com muita música, danças tradicionais, comidas e bebidas típicas. Crianças e jovens realizaram apresentações culturais e fizeram exposições de plantas medicinais e alimentos produzidos pelos próprios indígenas.
A tuxaua da comunidade São Francisco, Cleonice Pereira, disse que seu povo tem dois motivos para comemorar. O primeiro é pela passagem do Dia dos Povos Indígenas e o segundo é pelos 21 anos de homologação da terra indígena Raposa Serra do Sol, um marco histórico para os povos originários do Uiramutã.
“Hoje temos nossa casa, nossa terra, que foi conquistada com muito sangue derramado por nossos antepassados, nossos anciãos. Portanto, é preciso que os mais jovens reflitam sobre essa luta, que ainda continua. Vamos permanecer aqui, firmes e fortes, resistindo contra todos que não respeitam nossos direitos”, avisou a tuxaua, que lidera 168 moradores da comunidade São Francisco.
Na comunidade indígena Monte Moriá I, a 12 quilômetros da sede, moradores festejam desde ontem (18), o Dia dos Povos Originários. Eles recepcionaram os convidados com danças tradicionais e depois se reuniram no principal malocão da comunidade, onde ocorrem apresentações culturais e exposição da produção agrícola. O tuxaua da comunidade é Antônio Samuel Batista. A Monte Moriá I conta atualmente com 500 moradores; desses, 95 são pais de família.
União dos povos
O secretário de Assuntos Indígenas do Uiramutã, Neudo Joaquim Marques, pediu a união dos povos indígenas de todo Brasil. Ele lembrou das perseguições que os indígenas sofrem no campo do direito, da cultura e até da dignidade humana.
“Parabenizo a todos que lutaram e continuam lutando para manter nossa liberdade. Nosso povo sofre constantes ameaças com a crianção de leis que não nos favorecem. Somos originários desta terra, somos seres humanos e também temos Deus, por isso lutamos pelo futuro do nosso povo, dos nossos filhos”, ressaltou.
Neudo agradeceu ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva por demarcar a terra indígena Raposa Serra do Sol, assim como a todas as lideranças e patriarcas que hoje não estão mais vivos. Mas que lutaram e derramaram sangue, conforme ele, para que os povos indígenas conquistassem o território. O secretário disse ao final que os indígenas tomam conta da sua terra, defendendo e preservando a natureza.
Guardiões da natureza
O prefeito do Uiramutã, Tuxaua Benísio (Rede) destacou que “comemorar esse dia é fundamental para valorizar a diversidade cultural, combater preconceitos e fortalecer a luta pelos direitos dos povos originários, com a celebração de diversas etnias, línguas, tradições, culinária e costumes que influenciaram a identidade brasileira.
“Reafirmamos a necessidade de demarcação de terras, proteção contra ameaças e a garantia de direitos garantidos ao nosso povo. É preciso também reconhecer o papel dos indígenas como guardiões da natureza, essenciais para a preservação ambiental. Portanto, parabenizo todos os irmãos indígenas do Uiramutã, de Roraima e do Brasil”.
O mais indígena do Brasil
Distante 315 Km de Boa Vista, Uiramutã é o município com a maior proporção de população indígena do Brasil, com 97% dos seus habitantes autodeclarados indígenas, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Localizado na tríplice fronteira com Venezuela e Guiana, o município tem 13,7 mil habitantes e abriga 222 comunidades indígenas das etnias Macuxi, Taurepang, Wapixana e Ingaricó. Situado na terra indígena Raposa Serra do Sol, apresenta paisagem de lavrado e montanhas, com mais de 80 cachoeiras.
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Fonte: Da Redação

