Boa Vista registrou seis casos de violência financeira em 2020 - Foto: Divulgação
A violência financeira contra os idosos é uma realidade silenciosa, mas que configura crime. Durante a pandemia da Covid-19, esse tipo de abuso cresceu em Boa Vista.
A informação foi repassada ao Roraima em Tempo pela presidente do Conselho Municipal do Idoso, Vanessa Pinheiro. De 13 denúncias apuradas pelo órgão no ano passado, seis foram relacionadas à violência financeira, enquanto o restante por maus-tratos.
Já neste ano, Boa Vista tem 27 casos de violência contra idosos, sendo 26 de agressão física e um de abuso financeiro. Dessa forma, o Conselho atua para garantir o direito da pessoa idosa, e combater as violências.
Vanessa explica que, geralmente, o abuso financeiro parte da própria família, por conta de o idoso estar em casa.
“Ele não tem acesso ao banco e, muitas vezes, os familiares retêm o cartão e, consequentemente, a renda do idoso. Também há os abusos nas instituições financeiras. As empresas ligam e, às vezes, o idoso nem sabe do empréstimo feito no nome dele”, diz.
A partir das denúncias, o órgão envia os casos para a Delegacia Estadual do Idoso, que faz a investigação.
Durante o ano de 2020, a delegacia abriu 13 inquéritos policiais, e 15 termos circunstanciados de ocorrência (TCO). A Polícia Civil enviou os dados à reportagem.
Conforme o Estatuto do Idoso, é crime desviar ou se apropriar do benefício do idoso. A pena é de um a quatro anos de prisão, além de multa.
Vanessa fala ainda que o Conselho tem parceria com outros órgãos, como, por exemplo, o Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR), bem como entidades civis.
Contudo, o Conselho, que conta com uma equipe composta por conselheiros, também funciona como uma porta de entrada para outros tipos de atendimento. Além disso, presta assistência à terceira idade.
“Nós acompanhamos na delegacia, caso o idoso queira fazer uma denúncia. Prestamos assistência em questões bancárias, e encaminhamos alguns casos para o Crea [Centro de Referência Especializado em Assistência Social] e Cras [Centro de Referência de Assistência Social], que têm psicólogos e outros profissionais”, diz.
Em casos de denúncias, a equipe vai nas casas para ver a situação. Além dos idosos, amigos, vizinhos e familiares também podem entrar em contato com o Conselho para denunciar maus-tratos, abuso financeiro, assim como outros crimes.
O órgão fica no Terminal do Caimbé, na Avenida dos Imigrantes, e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h. O telefone para contato é o (95) 98405-3335.
Por Samantha Rufino
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