PF e Acnur lançam atendimento noturno para imigrantes em Roraima

Sistema visa acelerar atendimento e emissão de documentação

PF e Acnur lançam atendimento noturno para imigrantes em Roraima
Antonio Bolboa está no Brasil há duas semanas e foi um dos imigrantes a receber o atendimento noturno

A Polícia Federal (PF) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) lançaram um sistema de atendimento noturno que reduz a espera por documentação de refugiados e imigrantes em Roraima.

A ação teve início neste mês no Posto de Orientação e Triagem (PI-TRIG), no bairro Treze de Setembro, e acelerou o processo de regularização. Antes, os imigrantes esperavam aproximadamente 30 dias.

Também fazem parte da Força-Tarefa conjunta a Operação Acolhida e Associação Voluntários para o Serviço Internacional (AVSI Brasil).

O venezuelano Antonio Bolboa, 37 anos, está no Brasil há duas semanas. Conforme o relato, ele recebeu atendimento durante a noite em Boa Vista.

“Meu irmão, que está no Brasil há cerca de um ano, levou muito tempo para receber a documentação. Eu cheguei há pouco tempo e vindo ao PI-TRIG hoje consegui meu documento no mesmo dia”, disse.

Além disso, com apoio do irmão que mora no Brasil há quase um ano, Bolboa conseguiu um emprego de garçom em um restaurante na capital.

Para o imigrante, assim como para as demais pessoas refugiadas em Roraima, a documentação é a via de acesso direitos e modalidades de interiorização.

Atendimento aos migrantes

De acordo com a Força-tarefa, o Posto de Triagem de Boa Vista atende, em média, 500 pessoas por dia para documentação.

Conforme o levantamento, são cerca de 400 atendimentos durante o dia, entre 8h e 18h. Da mesma forma, outras 100 vagas são noturnas entre 18h às 23h.

A ação também ocorre em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. No local, a PF conta com apoio da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

A imigrante Carmen Chapaco, 55 anos, e o esposo Rafael Celestino, 59 anos, estão abrigados na cidade há quatro dias e conseguiram documentação para toda família em 24h.

De acordo com eles, a falta de alimentos e insegurança enfrentadas na Venezuela os levou a buscar a reunificação familiar com o filho mais velho, que há quatro anos trabalha em uma empresa de construção civil no Mato Grosso do Sul (MS).

“Os documentos nos permite chegar ao nosso destino final”, diz Rafael.

Fronteira fechada

Entre março de 2020 e junho de 2021, a fronteira entre Brasil e Venezuela foi fechada devido ao controle sanitário necessário para enfrentar a pandemia da Covid-19.

Nesse período, milhares de migrantes ingressaram no Brasil por meio de rotas irregulares e ficaram sem documentação no país.

Por isso, em junho do mesmo ano, o Governo Federal permitiu o registro solicitações do reconhecimento da condição de refugiado ou de residência temporária.

“Dessa forma, milhares de pessoas passaram a buscar o PI-TRIG para regularizar a situação no país, gerando uma demanda que estava aquém da capacidade técnica das autoridades nacionais”, destaca. a Força-Tarefa.

Com isso, a Polícia Federal, com o apoio das organizações, documentou mais de 8,8 mil pessoas como solicitantes da condição de refugiado. Outras três mil destas solicitações foram renovadas neste período. Além disso, a PF entregou mais de 21 mil protocolos de residência temporária.

Fonte: Da Redação

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