O avanço da inteligência artificial e a disseminação de informações falsas na internet acenderam um alerta entre especialistas, autoridades e pesquisadores às vésperas das eleições de 2026. O tema foi debatido nesta segunda-feira, 1º, durante audiência pública promovida pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional.
O encontro reuniu especialistas em direito digital, comunicação, marketing político e tecnologia para discutir os impactos das novas ferramentas de inteligência artificial no processo eleitoral. Além das dificuldades de fiscalização de conteúdos publicados nas plataformas digitais.
A audiência aconteceu sob a proposta do vice-presidente do CCS, Angela Cignachi, que destacou as mudanças aceleradas na comunicação política desde as eleições de 2022. Especialmente após a popularização de ferramentas como o ChatGPT.
Segundo ela, o crescimento da desinformação passou portanto, a atingir a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro e da Justiça Eleitoral.
“É inegável a ameaça à nossa democracia. O desafio de 2026 consegue ser ainda maior do que o de 2022”, afirmou.
Angela ressaltou ainda que o debate político precisa continuar livre. Contudo, é necessário criar mecanismos capazes de combater conteúdos falsos sem prejudicar a liberdade de expressão.
Transformação tecnológica
Durante a audiência, o advogado e especialista em direito digital Diogo Rais defendeu a atualização da legislação eleitoral brasileira. Para ele, as leis atuais não acompanham a velocidade das transformações tecnológicas e também do ambiente digital.
“O Congresso precisa definir regras mínimas para as eleições na internet. Hoje, o Tribunal Superior Eleitoral acaba criando resoluções porque não há legislação suficiente para lidar com esse novo cenário”, disse.
Além disso, Rais também defendeu a importância da propaganda eleitoral como instrumento democrático para a participação popular.
Já a diretora de projetos do Aláfia Lab, Maria Paula Almada, alertou para o crescimento do uso da inteligência artificial como fonte de informação entre brasileiros. Segundo pesquisa apresentada por ela, quase 10% da população já utiliza ferramentas de IA para se informar. Esse índice supera o número de pessoas que ainda buscam notícias em jornais impressos.
Avatares
A especialista chamou atenção para o uso de avatares artificiais e conteúdos gerados por inteligência artificial capazes de simular eleitores e comentaristas políticos, o que pode ampliar os riscos de desinformação durante as campanhas eleitorais.
A pesquisadora da UFRJ, Débora Salles, também apontou falhas na fiscalização da publicidade política online. Segundo ela, plataformas digitais ainda apresentam baixa transparência sobre anúncios e conteúdos patrocinados.
Para Débora, o ambiente virtual favorece a criação de um mercado paralelo de publicidade eleitoral sem garantias de igualdade entre candidatos e sem mecanismos eficientes de controle.
O presidente do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político, Bruno Hoffman, afirmou que a comunicação política precisa ser vista como parte da solução no fortalecimento da democracia e do voto consciente.
A presidente do CCS, Patrícia Blanco, reforçou que o crescimento acelerado da inteligência artificial tornou o ambiente digital ainda mais complexo e informou que o conselho deve promover uma nova audiência pública sobre o tema no mês de julho.
Fonte: Agência Senado

