Política

Governistas reprovam senadores pró-garimpo de RR em comissão dos Yanomami

A ida do senador Chico Rodrigues (União-RR) à Terra Yanomami gerou mal-estar entre parlamentares. Eles afirmam que a viagem, feita no meio do feriado, não foi objeto de acordo no grupo. O senador preside a comissão criada no Senado para acompanhar a tragédia dos indígenas.

Os governistas querem agora que Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, aumente o número de membros do colegiado para formar maioria. Hoje são cinco parlamentares, dos quais três são de Roraima e vistos como pró-garimpo: Chico Rodrigues, Mecias de Jesus (Republicanos) e Hiran Gonçalves (PP).

Pacheco, de acordo com aliados, resiste à ideia por considerar que o debate é de interesse de senadores locais.

Considerando que os senadores de Roraima são declaradamente a favor do garimpo, aliados do Planalto temem que o relatório final da comissão favoreça os garimpeiros, e não os indígenas. Se não conseguirem convencer Pacheco a mudar o perfil da comissão, os senadores querem buscar formas de enfraquecer o resultado.

Antes da formação do comando da comissão especial, os ministros Flávio Dino (Justiça) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social) tentaram atuar para que Chico Rodrigues fosse o relator da comissão. O escolhido foi Hiran (PP-RR).

Yanomami consideram visita como “Indesejada e desrespeitosa”

A Urihi Associação Yanomai divulgou nota onde avaliou a visita de Chico Rodrigues na região como “indesejada e desrespeitosa”.

“Na manhã desta segunda, lideranças tradicionais da região do Surucucu foram surpreendidos com a visita indesejada e desrespeitosa do senador Chico Rodrigues […] Não aceitamos a presença destes transgressores dentro do nosso território sagrado. Nosso protocolo de consulta deve se consultado e respeitado, mediante ações, decisões e visitas que podem afetar os direitos da população Yanomami”, ressaltou.

A entidade ainda relembrou a fala do senador durante entrevista na última semana, onde chamou indígenas Yanomai de “primitivos“.

“Ao ser entrevistado, o senador Chico Rodrigues utilizou um termo racista e pejorativo, ao se dirigir a população Yanomami como ‘índios primitivos’”, disse.

Já o Ministério Público Federal (MPF) questionou o senador Chico Rodrigues sobre a sua ida até a Terra Indígena Yanomami. O órgão enviou ao gabinete do senador, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e ao Centro de Operação de Emergências (COE), que é um colegiado constituído para comandar as ações de emergência voltadas aos Yanomami.

Nota de repúdio

Após a formação da comissão, entidades indígenas que representam os indígenas emitiram notas de repúdio em Roraima.

A Hutukara Associação Yanomami (HAY), por exemplo, considerou “inadmissível que esses senadores façam parte dessa Comissão para acompanhar a situação da crise humanitária e sanitária Yanomami”.

Destacou ainda que os indígenas vêm pedindo socorro e denunciando crimes e a crise humanitária na Terra Yanomami. No entanto, os senadores de Roraima nunca os apoiaram e ainda incentivaram a invasão do garimpo.

“Há anos a Hutukara vem denunciando a invasão do garimpo na Terra Indígena Yanomami e suas consequências com a devastação e contaminação do meio ambiente, doenças como malária e desnutrição, violências como estupros e aliciamento, levando muitas mortes aos nossos parentes, enquanto esses senadores nunca apoiaram as causas dos povos indígenas em Roraima e ainda estimularam a invasão do garimpo em nossas terras”.

Por outro lado, o Conselho Indígena de Roraima (CIR) pediu o afastamento de Chico Rodrigues e Hiran Gonçalves da comissão. Além disso, citou a participação de Chico nas diligências da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal em maio de 2022. Na ocasião, o senador negou que houvesse qualquer violação de direitos na terra indígena.

Dessa forma, o CIR pediu o afastamento de ambos os senadores da comissão. Para a entidade, manter Chico Rodrigues na composição é “imoral e antiético”, uma vez que o parlamentar é investigado pela Polícia Federal e foi alvo da Operação Desvid-19. A ação apurava a interferência de políticos na Secretaria de Saúde (Sesau) e o desvio de mais de R$ 20 milhões.

Fonte: Da Redação com informações do Estadão e Política Livre

Rosi Martins

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