Foto: Evandro Leal/Agência Freelancer/Folhapress)
As mulheres são a maioria do eleitorado feminino em Roraima. No total, elas representam 51,46% do total de 348.839 eleitores do estado. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e correspondem até março deste ano.
Mesmo com o número expressivo de eleitoras, os cargos políticos ainda são dominados por homens. Na Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR), por exemplo, homens ocupam 17 das 24 cadeiras da Casa. Enquanto em nível federal, o estado elegeu duas deputadas e seis deputados.
Esta é a terceira de uma série de três matérias que mostra o perfil dos eleitores roraimenses. A primeira reportagem abordou o grau de instrução dos eleitores e como isso ameaça a política de clientelismo. Já a segunda foi sobre faixa-etaria e influência de fatores como inflação na hora do voto.
Por outro lado, os homens são 48,54% dos eleitores. Ou seja, são 169.322 enquanto que o público feminino é 179.517. (Veja os dados na tabela abaixo)
Faixa Etária Masculino Feminino Inválida 83 121 16 644 764 17 1.217 1.445 18 a 20 10.087 10.696 21 a 24 17.926 19.591 25 a 34 40.191 44.382 45 a 59 37.731 38.795 60 a 69 14.894 14.258 70 a 79 6.957 6.104 Superior a 79 2.185 2.172
Apesar disso, o número de mulheres que ocupam cargos na política do estado ainda é pouco expressivo. A Drª em Ciências Sociais e professora do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Geyza Alves Pimentel explica que o cenário é semelhante a nível nacional.
“Apesar de no mercado de trabalho e educação as mulheres serem maioria do que os homens, ainda na política tem esse tabu mais conservador. Quer dizer, as mulheres quando elas são testadas na política você não vê o envolvimento delas em escândalos. Nós temos sempre as mulheres tratando a coisa mais seriamente”, avaliou.
Neste ano, os eleitores escolhem os representantes para governo estadual, federal, bem como senadores, deputados estaduais e federais. Roraima representa apenas 0,20% do eleitorado brasileiro.
No entanto, atualmente estas esferas ainda não contam com um número representativo de mulheres. Em 2018, à época das escolhas dos representantes, a porcentagem do eleitorado feminino em Roraima ainda era o mesmo.
Na ALE-RR, por exemplo, apenas 29,16% do parlamento é composto por mulheres. No total, a Casa conta com 24 deputados, sendo 7 mulheres e 17 homens.
Já na Câmara Federal, apenas duas mulheres ocupam o parlamento. Por outro lado, seis homens estão nas cadeiras. No caso de cargo no senado federal, nenhuma mulher conseguiu pleitear a função.
No Executivo, desde o ano de 1988, quando Roraima passou a ser Estado, apenas uma mulher foi eleita para assumir o governo de Roraima. Ou seja, de 10 eleições, apenas uma foi conquistada por uma mulher.
De acordo com a professora, ainda há uma resistência do público feminino votar em mulheres. No entanto, ela afirma que existem chances de mudar o cenário.
“A sociedade pode contribuir com essa representatividade escutando e começando a votar em mulheres. Se tem mais homens na política a tendência é que as mulheres votem nos homens. Mas isso tem que ser mudado, é um estudo e trabalho de conscientização. Realmente mostrar como são as mulheres dentro da política”, disse a Drª.
Em 1998, o país implementou a Lei nº 9.504/1997 que destina 30% das candidaturas proporcionais as mulheres. Na teoria, a legislação deveria incentivar o crescimento de mulheres nos parlamentos e demais cargos políticos.
Contudo, na prática para burlar a lei as siglas aderiram as chamas “candidatas laranjas”. Em 2019, uma pesquisa da James Madison University revelou que 35% das candidaturas femininas para deputado não chegaram a atingir 320 votos.
Sendo assim, a pesquisa aponta a possibilidade de que estas mulheres disputaram as eleições como “laranjas”. Ou seja, cumpriram a função no papel, mas não na prática.
A professora argumenta que este é um dos maiores desafios para implementar políticas públicas de incentivo a representatividade de mulheres na política.
“Um grupo político dentro da própria Câmara Federal já tratou algumas vezes de aumentar esse percentual e colocar 50%, a representatividade ser meio a meio na câmara. Mas isso não foi adiante, é uma discussão que ainda está sendo feita, porém que não consegue abranger todos que ali estão pra poder modificar a própria lei. Então, é um trabalho que precisa ser feito a longo prazo”, estimou.
Fonte: Samantha Rufino, jornalista do Roraima em Tempo
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