Alvo da nova fase da Operação Compliance Zero, o senador Ciro Nogueira (PP) é apontado por investigadores como o principal articulador político do banqueiro Daniel Vorcaro em Brasília. O político é o presidente nacional do Progressistas, partido do senador de Roraima, Hiran Gonçalves.
A ação é conduzida pela Polícia Federal (PF) e integra um inquérito que apura suspeitas de fraudes financeiras e possível uso de influência política para favorecer interesses do Banco Master.
De acordo com as investigações, Ciro Nogueira teria atuado como elo estratégico entre o banqueiro e figuras-chave da política local. Entre os nomes citados estão o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha e o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa. A aproximação teria como objetivo viabilizar uma operação de suporte financeiro ao Banco Master.
Ainda segundo a apuração, o senador — que preside o Progressistas (PP) e figura entre os principais líderes do Centrão — teria defendido interesses da instituição financeira tanto no Congresso Nacional quanto no governo federal, especialmente durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, período em que ocupou o cargo de ministro-chefe da Casa Civil.
Investigadores avaliam que Ciro exercia papel de liderança política dentro da estrutura de apoio ao banco, atuando na articulação institucional e na interlocução com autoridades.
A Polícia Federal aponta que outros parlamentares e agentes públicos também estão sob investigação e não descarta novas fases da operação, com ampliação do número de alvos.
As diligências seguem em andamento, com análise de documentos e materiais apreendidos para aprofundar o mapeamento da suposta rede de influência e dos fluxos financeiros investigados.
Operação Compliance Zero
A PF deflagrou várias operações no caso do Banco Master com o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional).
A operação foi a responsável pela prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, mirando evitar uma possível fuga do ex-banqueiro.
Houve ainda ordem de bloqueio em contas em R$ 12,2 bilhões, além de apreensões de diversos carros de luxo, obras de arte e relógios.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Já em 2026, a operação prendeu o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa, suspeito de receber R$ 140 milhões de Vorcaro como propina para viabilizar a compra do Master, e também coordenar uma pressão interna para que acionistas comprassem ações usando verbas vindas do próprio Banco Master.
TCU
O ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, é o relator do processo de liquidação do Banco Master no órgão. Ele recebeu um pedido de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para realizar uma inspeção no Banco Central (BC) e dias depois determinou a auditoria in loco.
Por conta disso, o subprocurador-geral do MPTCU (Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União), Lucas Rocha Furtado, solicitou uma apuração à corregedoria do tribunal sobre a conduta do ministro Jhonatan de Jesus no caso do Banco Master e sugeriu sua suspeição à depender dos elementos colhidos.
Lucas Furtado pediu a apuração sobre “eventual descumprimento, por parte do ministro, dos deveres funcionais e éticos no relacionamento com Daniel Vorcaro, seus representantes ou demais interessados”.
Da Redação, com informações do Jornal de Brasília e CNN


