Senado: comissão aprova projeto que cria estatuto dos cães e gatos no Brasil

Texto reconhece cães e gatos como seres sencientes. Isso significa que eles são capazes de sentir dor, sofrimento, medo, prazer e afeto

Senado: comissão aprova projeto que cria estatuto dos cães e gatos no Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou nesta quarta-feira, 12, o projeto de lei que cria o Estatuto dos Cães e Gatos. A proposta estabelece direitos e deveres para garantir a proteção e o bem-estar dos animais.

Além disso, o texto reconhece cães e gatos como seres sencientes. Isso significa que eles são capazes de sentir dor, sofrimento, medo, prazer e afeto.

O projeto de lei (PL) 6.191/2025 surgiu a partir da Sugestão Legislativa 10/2025, apresentada à Comissão de Direitos Humanos (CDH) pelo Instituto Arcanimal, ligado à Associação Amigos dos Animais.

Segundo a proposta, a futura lei entrará em vigor 90 dias após a publicação.

O texto recebeu parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES) e agora segue para análise da Comissão de Meio Ambiente (CMA).

Quais são os direitos previstos para cães e gatos?

O Estatuto estabelece direitos básicos para os animais. Entre eles estão:

  • acesso à água limpa e alimentação adequada;
  • abrigo seguro;
  • assistência veterinária;
  • vacinação;
  • proteção contra abandono e maus-tratos;
  • possibilidade de expressar comportamentos naturais, como brincar, correr e cheirar;
  • convivência com pessoas e outros animais.

Dessa forma, o projeto busca estabelecer regras nacionais para a proteção de cães e gatos.

Tutores terão novas obrigações

O texto também define deveres para os responsáveis pelos animais. Os tutores deverão garantir alimentação, higiene, atendimento de saúde, vacinação, vermifugação e identificação.

Além disso, deverão proporcionar condições adequadas de convivência e evitar fugas e acidentes.

Em locais públicos, os responsáveis também precisarão recolher os dejetos dos animais. No caso dos cães, a condução deverá ocorrer com guia, coleira ou peitoral.

Outra obrigação será cadastrar cães e gatos no Cadastro Nacional de Animais Domésticos, criado pela Lei 15.046/2024.

Projeto prevê regras para condomínios e transporte

A proposta também estabelece regras para a convivência entre animais e moradores. O texto proíbe restrições genéricas à permanência de cães e gatos em condomínios residenciais. No entanto, os condomínios poderão impor limitações quando houver risco concreto à saúde, à segurança ou ao sossego dos moradores.

Além disso, o projeto prevê medidas para facilitar o acesso dos animais aos meios de transporte, conforme regulamentação específica.

Educação sobre proteção animal

O Estatuto também prevê ações de educação animalista. Para isso, o tema poderá integrar os currículos dos ensinos fundamental e médio.

Além disso, campanhas educativas poderão ocorrer em meios de comunicação, universidades, escolas, associações de bairro e canais oficiais dos governos locais.

A proposta busca ampliar o conhecimento sobre adoção responsável, consciência e senciência animal. Assim, pretende estimular o respeito aos animais e reduzir situações de abandono e maus-tratos.

Animais comunitários terão proteção específica

O projeto também reconhece os chamados animais comunitários. São cães e gatos que vivem nas ruas e recebem cuidados de moradores de determinada região. Pela proposta, esses animais deverão receber alimentação, abrigo, vacinação, esterilização, identificação e atendimento veterinário. A responsabilidade será compartilhada entre o poder público e a comunidade.

Além disso, municípios e o Distrito Federal responderão pelos danos causados por animais comunitários dentro de seus territórios. A regra prevê exceções em casos de culpa exclusiva da vítima, culpa de integrante da própria comunidade ou força maior.

Adoção terá critérios específicos

O Estatuto também estabelece regras para a adoção de cães e gatos. A adoção deverá ser formalizada por meio de termo específico. O adotante deverá ter pelo menos 18 anos, possuir domicílio certo e não apresentar antecedentes de maus-tratos contra animais.

Com isso, o projeto pretende estimular a adoção responsável e reduzir devoluções indevidas.

Poder público terá novas responsabilidades

A proposta também estabelece obrigações para o poder público. Entre elas estão a criação de políticas de proteção animal e programas de castração e microchipagem.

Os governos também poderão promover campanhas educativas sobre custódia responsável e oferecer atendimento veterinário gratuito ou subsidiado para pessoas em situação de vulnerabilidade. Além disso, o texto prevê ações de resgate e acolhimento de animais durante desastres ambientais.

Projeto prevê proibições e sanções

O Estatuto estabelece uma série de condutas proibidas. Entre elas estão:

  • maus-tratos;
  • abandono;
  • eliminação de cães e gatos para controle populacional;
  • mutilações estéticas sem indicação clínica;
  • criação clandestina para venda;
  • rinhas;
  • corridas extenuantes;
  • uso de cães e gatos em experimentos científicos ou didáticos que provoquem dor ou sofrimento.

Além disso, quem cometer maus-tratos poderá ser obrigado a pagar integralmente os tratamentos veterinários necessários para os animais.

Penalidades podem incluir perda da guarda

O projeto também cria sanções administrativas e tipos penais específicos.

Entre as punições previstas estão advertência, multa, apreensão dos animais e interdição de estabelecimentos. O infrator também poderá perder a guarda dos animais e ficar impedido de adotar ou manter cães e gatos por até dez anos.

O texto ainda prevê punições para quem matar um cão ou gato, abandonar animais, deixar de prestar socorro a um animal ferido ou impedir cuidados destinados a animais comunitários.

Também haverá punições para quem explorar cães e gatos em situações consideradas abusivas.

Brasil tem cerca de 160 milhões de animais de estimação

O projeto destaca a dimensão da população pet no país. Estimativas citadas na proposta apontam que o Brasil possui cerca de 160 milhões de animais de estimação.

No parecer, o senador Fabiano Contarato afirma que o Estatuto representa um avanço na proteção animal e reúne, em uma única legislação, princípios, direitos, deveres e mecanismos de responsabilização que atualmente estão distribuídos em diferentes normas.

Segundo o relator, o reconhecimento da senciência de cães e gatos acompanha avanços científicos e jurídicos relacionados à proteção animal.

Agora, o projeto seguirá para análise da Comissão de Meio Ambiente. Se avançar nas próximas etapas, ainda precisará cumprir o restante da tramitação legislativa antes de se tornar lei.

Fonte: Agência Senado

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