Internações por doenças intestinais crescem mais de 60% no Brasil

Número saltou de 15 mil registros, em 2015, para 24 mil, em 2024

Internações por doenças intestinais crescem mais de 60% no Brasil
Foto: Reprodução

Em dez anos, as internações por doenças inflamatórias intestinais cresceram mais de 60% no Brasil. O número saltou de pouco menos de 15 mil registros, em 2015, para quase 24 mil internações, em 2024. Os dados são da Sociedade Brasileira de Coloproctologia. O aumento acende um alerta durante o Maio Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre essas doenças, que ainda não têm cura, e exigem acompanhamento contínuo. A principal mensagem é a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado, como explica o coloproctologista Danilo Muñoz. 

“Tem paciente que convive com isso por meses, às vezes anos, achando que é algo da alimentação ou do estresse. E esse atraso no diagnóstico pode levar a complicações,  internações e até necessidade de cirurgia. A gente tem observado um aumento expressivo nas internações por essas doenças no Brasil nos últimos anos. Além do impacto físico, existe também um impacto muito importante na qualidade de vida. São doenças que podem interferir no trabalho, na vida social e até na saúde emocional”. 

As doenças inflamatórias e intestinais mais comuns são a doença de Crohn e a retrocolite ulcerativa. As duas atingem o sistema digestivo, provocam inflamação crônica e costumam alternar períodos de crise e de melhora.

Sinais

O problema é que no início os sinais podem ser confundidos com outras condições, o que atrasa o diagnóstico e limita as opções de tratamento. Foi isso que aconteceu portanto com o servidor público Fábio Viana. Ele começou com uma fissura anal, passou por cirurgia e cauterização, mas não apresentou melhora. Só após buscar uma segunda opinião médica e realizar uma investigação mais detalhada, incluindo exames para doenças infecciosas, veio o diagnóstico correto. 

Hoje, Fábio aguarda na fila para receber a medicação, que tem custo elevado. Em alguns casos, os remédios usados no tratamento da doença de Crohn podem chegar a quase R$ 40 mil por frasco, o que dificulta o acesso para muitos pacientes.  

“Eu estou na espera pelo medicamento que controla a doença. Como ela é autoimune, só é possível tratar ela, não posso… ela não tem cura. Então, eu acabei entrando na farmácia de alto custo do DF, porém tem demorado bastante, o que mantém a crise que eu estou no momento e a doença continua agravando”. 

Por fim, a doença de Crohn pode comprometer qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus. Já a retocolite ulcerativa atinge apenas o intestino grosso. Além disso, apesar dessas diferenças, os impactos no dia a dia são semelhantes. Dor abdominal,  diarreia frequente, sangramentos e cansaço intenso afetam a rotina, o trabalho,  os relacionamentos e a qualidade de vida.  Especialistas reforçam que informação, diagnóstico precoce e tratamento adequado fazem toda a diferença. 

Fonte: Agência Brasil

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