Pacientes com câncer no estômago passam por cirurgia para retirada do tumor no HGR, mas descobrem que procedimento não foi feito, diz denúncia

Conforme denúncia, pacientes acordaram do procedimento com o corte na barriga, contudo, cirurgias foram diferente do esperado. Além disso, alegam que não houve pedido de exames de imagem para saber evolução da doença após a quimioterapia

Pacientes com câncer no estômago passam por cirurgia para retirada do tumor no HGR, mas descobrem que procedimento não foi feito, diz denúncia
Hospital Geral de Roraima – Foto: Secom

Dois pacientes com câncer no estômago, Rogério Morais e Fernando Silva, denunciaram à reportagem da TV Imperial que passaram por um procedimento cirúrgico para retirada do tumor no Hospital Geral de Roraima (HGR), contudo, de acordo com relatos, descobriram que após passar pela cirurgia, a retirada do tumor não aconteceu.

Entenda

De acordo com Rogério, ele recebeu o diagnóstico para a doença e a notícia que passaria pela quimioterapia e em seguida, pelo procedimento cirúrgico para retirada do tumor no estômago.

“Fiz os três meses de quimioterapia e retornei com o cirurgião. Retornei de novo e fiz mais um mês. Retornei novamente e cheguei a solicitar uma exame para saber como estava a evolução da doença. Falaram que eles não faziam exame durante a quimioterapia, só após. Acabou que só solicitaram um exame de sangue, risco cirúrgico e raio-x. Marcaram a cirurgia sem o exame de imagem. Pensei que iam acabar com esse problema, pois era o que me falavam no início do tratamento, pois se tratava de um tumor pequeno”, explicou o homem.

Dessa forma, Morais disse que acordou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e só confirmou o que aconteceu após 30 dias, quando retornou com o médico.

“Me internaram, passei por um procedimento cirúrgico e quando vi, estava na UTI querendo saber o que havia acontecido. Recebi três diagnósticos. Um deles falou que não tinha tirado o tumor pois ele estava nas artérias e havia se espalhado. No retorno com o médico, ele explicou que a única coisa que ele poderia fazer era um desvio no estômago para eu me alimentar melhor, pois não tinha o que fazer”, explicou.

Além disso Rogério falou sobre a frustração após passar pela cirurgia sem resultados. “Até então, a gente espera um resultado bom e no final de tudo a gente passa por isso. Sinto muitas dores nas costas e sinto ânsia de vomito. Sem contar a recuperação de uma cirurgia que não teve sucesso. Uma falta de respeito abrir um paciente sem saber o que vai fazer” disse.

Outro caso

A situação parecida aconteceu também com o agricultor Fernando Silva. Ele descobriu que tinha câncer no estômago em outubro do ano passado e deveria fazer cirurgia para retirada total do estômago.

“Fiz três ciclos de quimioterapia que comecei no dia 5 de dezembro. Pedi exame de imagem para saber como estava a doença. Os médicos, no entanto, só passaram exame de sangue […] fiz dois meses e pedi o exame de imagem e nada. No ultimo mês do ciclo, eu só tinha exame de sangue para apresentar e diziam que estava tudo bem. Fiz consultas na Unacon, e corri atrás do risco cirúrgico e marquei a cirurgia para maio”, disse.

Quando recebeu a notícia que iria operar, o homem disse que ficou feliz, pois achava que iria se livrar da doença.

“Fiquei alegre, pensei ‘agora vou ficar bom, vão tirar a enfermidade’. Quando o médico disse que eu ia me internar, pensei que ia ser avaliado com exame de imagem, mas não foi o que aconteceu. Fiquei em um quarto e quando amanheceu o dia me levaram para o centro cirúrgico […] quando acordei que vi que não tinha acontecido nada do que foi dito na palestra de preparo, entendi que a cirurgia não tinha dado certo.”

Fernando disse que pela manhã após a cirurgia, ele recebeu alta e não entendeu. “Eu disse: ‘como assim vão me dar alta se eu estou com dores sem conseguir respirar?’ Minha esposa e minha irmã viram o corte e foram em busca dos meus direitos, pois ninguém fez curativo e ninguém quis saber como eu estava” ressaltou.

‘Procedimento sem sucesso’

Fernando contou ainda, que se sentiu prejudicado, pois em nenhum momento recebeu a informação que a cirurgia poderia não ter o sucesso desejado.

“Meu irmão era o acompanhante na cirurgia e falaram que o procedimento não ocorreu como estava no prontuário, que era a retirada total do estômago. Em nenhum momento eles me disseram que poderia ter essa alternativa de quer poderia abrir a pessoa e não conter o avanço do tumor. A justificava é que o câncer se espalhou e não iam conseguir estancar a hemorragia.”

Citado

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Saúde (Sesau) para posicionamento sobre os casos. Por meio de nota, a Sesau disse que Rogério Morais de acordo com a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia de Roraima, (Unacon-RR), deu entrada no tratamento oncológico em novembro de 2023, e submetido a exames, para em seguida passar por quimioterapia. Os exames do paciente na ocasião, segundo a Sesau, não sugeriram neoplasia disseminada, sendo sugerida a continuidade do procedimento quimioterápico, que foi finalizado em março deste ano.

Nesse sentindo, o paciente passou por cirurgia foi constatada doença incurável disseminada. Diante de tal condição, a equipe médica realizou um procedimento para garantir que ele possa se alimentar normalmente, sendo também recomendados cuidados paliativos.

Já no caso do paciente Fernando Silva, a Sesau esclareceu que ele passou por exames clínicos e complementares na Unacon-RR que à época não evidenciaram sinais de doença disseminada ou à distância, sendo indicada a realização de quimioterapia antes do procedimento cirúrgico.

Ainda segundo a direção da Unacon-RR, os exames de tomografia e ressonância não são 100% fidedignos para determinar uma disseminação de neoplasia de estômago intracavitário, sendo sugerida a quimioterapia com base em protocolos de oncologia. Dessa forma, o referido paciente passou pelo procedimento e foi encaminhado para laparotomia exploradora no dia 9 de maio.

Na mesma ocasião, segundo a unidade, foi comprovado que a doença estava disseminada e em estágio irressecável. A Sesau afirmou que os exames necessários foram feitos conforme protocolos e que não foi possível realizar a cirurgia.

Fonte: TV Imperial

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