Polícia

“Nei Mentira”, sobrinho de Telmário Mota foragido da Justiça, ocupava cargo comissionado no Governo de RR

O sobrinho do ex-senador Telmário Mota, Harrison Nei Correa Mota, conhecido como “Nei Mentira” , atuava como motorista em cargo comissionado no Governo de Roraima. Ele está foragido da Justiça por suspeita de participação no homicídio de Antônia Araújo, mãe da filha do ex-parlamentar.

O governador Antonio Denarium assinou a nomeação de Harrison no dia 3 de março deste ano e o exonerou nesta quarta-feira (2). A publicação está no Diário Oficial do Estado (DOE). O homem atuava como motorista na Secretaria dos Povos Indígenas (Sepi) e recebia salário de R$ 1.546,00. Confira abaixo:

Nei Mentira está foragido da Justiça após a Operação Caçada Real que a Polícia Civil de Roraima (PCRR) deflagrou para cumprir três mandados de prisão, bem como sete de busca e apreensão. A ação ocorreu na segunda-feira (30). Os policiais ainda realizam diligências para cumprir o mandado de prisão contra ele.

Ainda na segunda-feira, os agentes prenderam em Caracaraí, Sul de Roraima, Leandro Luz, suspeito de ter dado o tiro que matou Antônia Araújo de Sousa. A mulher era mãe de filha do ex-senador Telmário Mota. A prisão do ex-parlamentar ocorreu na noite do mesmo dia em Goiás. Conforme informações, ele ainda encontra-se no estado a espera do recambiamento para Roraima.

‘Nei Mentira’

Preso desde março de 2019, por roubo de gado em Alto Alegre, Nei Mentira recebeu condenação um ano depois, tendo a sentença majorada devido ao uso de arma de fogo para praticar o crime e, por assim, restringir a liberdade das vítimas.

Desse modo, recebeu condenação total de 7 anos e seis meses de prisão inicialmente em regime fechado. Confira abaixo:

Harrison saiu da penitenciária em outubro de 2021 e foi nomeado no Governo de Roraima em 3 de março deste ano. Confira abaixo:

A ficha criminal de Nei mostra que ele foi preso em 2009 e 2011 pelo cometimento de outros crimes. Assim, ele passou pela Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc), Cadeia Pública Masculina em Boa Vista, assim como pela Cadeia Pública de São Luiz, no Sul de Roraima.

Confira o posicionamento do Governo

O Governo de Roraima ressalta que o servidor público é representante da administração pública diante da sociedade e deve preservar a imagem, o decoro e a credibilidade inclusive além do estrito exercício das funções do cargo.

Nesse sentido, tendo em vista as investigações que indicam o nome da referida pessoa em uma situação que implica conduta contrária ao padrão de comportamento que o Estado exige dos seus servidores, foi efetuada a exoneração

O assassinato de Antônia Araújo

A Polícia Civil concedeu uma coletiva à imprensa para falar do resultado da Operação Caçada Real. Desse modo, o delegado João Evangelista, falou sobre detalhes das investigações. Conforme ele, houve uma série de diligências para apurar o caso.

De acordo com o delegado, foi possível observar quem planejou quem teve logística, quem atuou na parte de buscar os executores, como escolheram o dia mais difícil mais propício para a execução do crime.

“Houve um planejamento, houve uma análise de riscos. Eles verificaram as possibilidades, monitoraram, acompanharam, identificaram a rotina da vítima justamente para que a execução fosse realizada com o menor risco de eles serem pegos em flagrante naquele momento. Hoje nós temos a convicção de que os elementos de informação do inquérito apontam pelo menos um executor, que é que foi preso hoje [ontem], um sobrinho do ex-senador Telmário Mota, apontam uma ex-assessora dele e ele, como o beneficiário com a morte, o sujeito no qual, o planejamento foi orquestrado na própria fazenda dele e que provavelmente, tudo leva a crer que ele foi o mandante”, detalhou.

Motivação do crime

De acordo com o delegado, a motivação da execução do crime diz respeito a uma série de circunstâncias.

“A vítima foi responsável, juntamente com a filha dele, por informações que iniciaram uma investigação policial no ano de 2022 e alcançaram um processo criminal pelo crime de estupro e fez com que ele passasse a ser réu por esse crime. A mãe, no caso a vítima, seria ouvida, seria inquerida, era testemunha daquele processo. Não apenas isso, havia outros processos dando conta de pensão alimentícia e de valores que ela estaria cobrando para ele na Justiça. Então com a morte dela, em tese cessariam essas situações. Por si só, isso nos garante que ele teria sim, motivos para matá-la”, afirmou.

Fonte: Da Redação

Rosi Martins

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