Água das chuvas invade casas em Mucajaí - Foto: Reprodução
O Brasil precisa se preparar para enfrentar o El Niño. Há previsões de que o fenômeno, que em geral provoca chuvas intensas na Região Sul e seca acentuada no Norte e no Nordeste, ocorra com mais intensidade neste ano. O país já possui instrumentos suficientes para prever esses eventos climáticos, mas ainda precisa aperfeiçoar suas políticas de prevenção.
Essas foram algumas das avaliações apresentadas durante sessão temática promovida pelo Senado. O debate, teve a condução do senador Esperidião Amin (PP-SC), contou com a participação de parlamentares, especialistas e representantes do governo. O El Niño é causado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação dos ventos e o clima global. Para este ano, há previsões que indicam impactos mais fortes a partir do segundo semestre.
Durante a sessão, o senador Hermes Klann (PL-SC) citou a estimativa de que o El Niño deve se intensificar nos próximos meses. O resultado é 2027 o ano mais quente já registrado no planeta. A projeção é de pesquisadores do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.
Hermes Klann, ressaltou que o El Niño já é um fenômeno conhecido e que a ocorrência de desastres naturais deixou de ser exceção no Brasil.
“O Brasil não está mais lidando com eventos climáticos isolados; está lidando com uma nova realidade climática. E aqui está o ponto central deste debate: nós já sabemos disso. A pergunta é: o que faremos com essa informação? O problema não é a falta de previsão; o problema é a falta de prevenção [por parte do governo”, alertou ele.
Esperidião Amin destacou que o objetivo do encontro foi justamente coletar informações . Bem como discutir ações de prevenção para proteger, por exemplo, a agricultura e o fornecimento de água potável.
“Nosso foco é agir para prevenir e reduzir os possíveis danos do El Niño que se anuncia. Ou seja: o que fazer como prevenção e o que fazer após a possível ocorrência de desastres“, explicou.
Ele lembrou que o tema também entrou em debate durante audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado (CCT). Na ocasião, os participantes discutiram como a ciência pode ser utilizada para reduzir vulnerabilidades diante desse fenômeno.
O pesquisador Carlos Nobre enfatizou que as previsões futuras trazem muita preocupação porque o fenômeno acontece em um cenário de aumento gradual da temperatura global.
“O ano de 2024 bateu o recorde de 1,55 grau [de aumento da temperatura do planeta]. E esse fator do aquecimento global é que faz todos os fenômenos climáticos, existentes há milhões de anos, serem sempre superados. Quando a temperatura do planeta está mais alta, temos muito mais energia na atmosfera. E isso gera os fenômenos meteorológicos climáticos que batem cada vez mais recordes”, explicou.
O pesquisador reiterou que as pesquisas científicas apontam para uma alta probabilidade de o El Niño ocorrer já neste ano.
“Agora (em maio, junho, julho) já temos 92% de probabilidade de começar um El Niño. Para outubro, novembro e dezembro deste ano, a probabilidade é de 98% de ele vir forte ou muito forte. Então temos de nos preparar muito bem”, advertiu.
Carlos Nobre acrescentou que centenas de milhares de pessoas, em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, vivem em áreas de risco e em encostas.
Representante do Ministério da Ciência e Tecnologia, Regina Célia dos Santos também reforçou a preocupação com os eventuais impactos sobre os estados do Sul. Ela também alertou para os riscos de aumento das queimadas. Isso em áreas como a Amazônia. Regina é diretora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais desse ministério.
Apesar de reconhecer que várias instituições estão preocupadas com o El Niño, ela garantiu que o governo está monitorando o fenômeno. Além disso, está se preparando para minimizar os possíveis impactos nas diferentes regiões do país.
“É crucial que acompanhemos essa situação rotineiramente. Os centros internacionais projetam um cenário de El Niño forte, mas ainda não de um El Niño muito forte nem severamente forte. Isso não significa que ele não possa evoluir e resultar em cenários realmente mais preocupantes. Estamos avaliando os possíveis impactos nas diferentes regiões do Brasil e, a partir desses estudos, informamos quais regiões serão mais ou menos impactadas”, disse Regina
O senador Hamilton Mourão salientou que a preocupação com o Rio Grande do Sul cresce cada vez mais. ‘Nossas cidades não conseguem enfrentar catástrofes climáticas. Precisamos trabalhar, dentro do Congresso Nacional, para tornar obrigatória a adoção de parâmetros climáticos atualizados em novas obras públicas financiadas com recursos federais, a fim de começar a frear essas catástrofes. Também precisamos cobrar resultados. Os gestores públicos devem compreender que não basta escrever um “planinho bonito” no papel. Eles precisam verificar se aquele plano é exequível’, defendeu.
Por fim, para Hermes Klann, a discussão sobre o tema também tem de envolver a sociedade civil organizada, entidades do setor produtivo e instituições sociai. Inclusive, argumentou ele, porque parte da população parece não conhecer o assunto.
Fonte: Agência Senado
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