Comissão do Senado aprova projeto que permite a servidor público também ser MEI

Texto veda a participação de ocupantes de cargos em comissão, militares e empregados de estatais; matéria segue para a Câmara

Comissão do Senado aprova projeto que permite a servidor público também ser MEI
Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, na última quarta-feira (1º), um projeto de lei para autorizar servidores públicos federais a atuarem como MEIs (microempreendedores individuais). Tendo como placar na comissão de 12 votos favoráveis e um contrário, do senador Alessandro Vieira (MDB-SE).

Como a proposta tramitava em caráter terminativo, ela segue para análise da Câmara dos Deputados sem passar pelo plenário do Senado. A não ser que um recurso seja apresentado em um prazo de cinco dias úteis (até 8 de julho).

O texto, que altera o Estatuto do Servidor Público Federal (Lei nº 8.112/1990) e é de autoria do senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Sendo aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) em 2024.

Quem fica de fora

Atualmente, o Estatuto veda a participação de servidores na gerência ou administração de empresas privadas e o exercício do comércio, a não ser como acionista ou cotista.

É permitido que o servidor participe de conselhos de administração e fiscal de empresas com participação da União. Também atue em sociedades cooperativas de serviços ou exerça tais atividades durante licença para tratar de interesses particulares. O projeto de lei pretende ampliar esse rol para incluir a atuação como MEI.

A permissão não se aplicará a servidores que ocupam cargos em comissão ou funções de confiança, já que estão submetidos a um regime de dedicação integral à Administração Pública. Militares e empregados públicos, como os contratados por empresas estatais, também ficam de fora.

Outras regras preveem a compatibilidade de horários entre atividades privadas e o exercício regular do cargo público; observância da legislação vigente sobre conflito de interesses e proibição de participar de licitações ou executar contratos com o órgão ou entidade ao qual o servidor está vinculado.

Impacto na economia

Em seu parecer, o relator, senador Irajá (PSD-TO), afirmou que a mudança pode contribuir para fortalecer a economia brasileira por “ampliar a oferta de bens e serviços no mercado privado, trazendo dinamismo, alcance e vigor para a atividade econômica”.

Segundo ele, a atividade dos servidores como MEI não prejudicará a administração pública. “Já existem situações em que servidores acumulam cargos ou mantêm empregos privados. Portanto, é incoerente permitir essas situações e impedir que eles exerçam microempreendedorismo, que prevê receita anual ainda limitada a R$ 81 mil”, escreveu.

Fonte: Portal R7

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