Anúncio
Gerlane Baccarin, esposa do senador Hiran Gonçalves, tanto articulou que acabou tendo o nome lançado como candidata a vice-governadora durante a convenção do PL. O detalhe é que, ao que tudo indica, o anúncio não agradou sequer o próprio pré-candidato ao Governo, Arthur Henrique. Após a repercussão, o diretório estadual do partido divulgou uma nota esclarecendo que a indicação, na verdade, refletia a preferência de Flávio Bolsonaro e que em breve, haveria a divulgação do escolhido ou escolhida de fato. Nos bastidores da política, porém, a informação que circulou durante meses era de que Gerlane e Hiran corriam da sala para a cozinha em busca de espaço em uma chapa majoritária. As ‘armadilhas’ impostas pelo casal, conforme revelam fontes próximas, já estão vexaminosas.
Crime administrativo 1
A insistência de Gerlane Baccarin em permanecer na política não parece de um interesse genuíno em representar a população. No governo, por exemplo, ela ocupou cargo de primeiro escalão desde que seu marido virou deputado. E em 2021, assumiu a Secretaria de Representação de Roraima em Brasília com um “gordo” salário. No entanto, a cobiça acabou cobrando um preço: Gerlane teve de devolver R$ 114 mil aos cofres públicos após receber, de forma irregular, valores públicos por dois cargos por quase dois anos.
Crime administrativo 2
As investigações começaram no Ministério Público Federal (MPF), que posteriormente remeteu o caso ao Ministério Público de Roraima (MPRR). Em dezembro de 2020, o órgão ajuizou uma ação por improbidade administrativa. Para evitar o prosseguimento do processo, Gerlane firmou um acordo com o MPRR, homologado pelo juiz Luiz Alberto de Morais Júnior, comprometendo-se a ressarcir os R$ 114 mil aos cofres públicos.
Questão moral
Gerlane Baccarin pode até não ter condenações que a impeçam de disputar eleições. No entanto, isso não elimina os critérios morais que devem nortear a escolha de quem pretende compor uma chapa para administrar todo um estado e representar todo um povo. A ação de improbidade administrativa, é um episódio que inevitavelmente levanta vários questionamentos sobre os princípios e a conduta esperada de um gestor público. Afinal, quem pretende governar precisa inspirar confiança não apenas pela situação eleitoral, mas também pelo histórico de sua atuação na administração pública, o que nem Gerlane e nem o marido senador foram capazes de sustentar.
Gerlane recebeu dinheiro de forma irregular por quase dois anos e quando o caso veio a público, culpou servidores da Segad. Mas vamos, venhamos e convenhamos: ela recebeu, devolveu e ocaso ficou resolvido. Mas fica o questionamento: isso apaga o ato ilegal cometido?
Da Redação

