Brasil reduz em quase 90% número de crianças sem vacinação

O avanço é atribuído ao fortalecimento das campanhas de imunização e à melhora no sistema de registro vacinal

Brasil reduz em quase 90% número de crianças sem vacinação
Foto: Divulgação Governo Federal

O Brasil registrou um avanço expressivo na cobertura vacinal infantil e deixou de integrar a lista dos 20 países com o maior número de crianças zero-dose, aquelas que não receberam a primeira dose da vacina com componente DTP. Os dados foram divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

No Brasil, a vacina com componente DTP corresponde à pentavalente, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib), bactéria responsável por doenças graves, como meningite e pneumonia.

De acordo com as Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), o número de crianças zero-dose caiu de 360 mil, em 2023, para 255 mil em 2024. Em 2025, o índice chegou a aproximadamente 50 mil crianças.

O resultado representa uma redução de cerca de 86% em relação ao ano anterior e de quase 90% na comparação com 2023. Além disso, coloca o Brasil entre os países que mais avançaram na recuperação da cobertura vacinal infantil nos últimos anos.

Segundo a OMS e o Unicef, o país vem ampliando a cobertura vacinal de forma contínua, ao mesmo tempo em que reduz o número de crianças sem acesso à primeira dose da vacina. As organizações atribuem esse desempenho tanto ao aumento da vacinação quanto ao aprimoramento dos sistemas públicos de registro e divulgação das informações sobre imunização, tornando os dados mais precisos e completos.

Ministério da Saúde reforçou ações de vacinação infantil

O avanço reflete o fortalecimento das ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde em parceria com estados e municípios.

Entre as principais estratégias adotadas estão a intensificação das campanhas de vacinação, a retomada dos dias nacionais de mobilização, a busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos, a ampliação da vacinação nas escolas, o fortalecimento da rede de salas de vacina, a modernização dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e o monitoramento contínuo das coberturas vacinais em todo o país.

Vacinação infantil ainda avança lentamente no mundo

Apesar dos resultados brasileiros, a recuperação da vacinação infantil continua em ritmo lento no cenário internacional.

Os dados da WUENIC apontam que cerca de 116 milhões de crianças, o equivalente a 90% dos bebês nascidos em 2025, receberam pelo menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP). Já 110 milhões, ou 85%, completaram o esquema de três doses.

Mesmo com a melhora em relação ao ano anterior, a cobertura global permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.

O relatório também estima que 13,5 milhões de crianças não receberam a primeira dose da vacina contendo DTP em 2025, enquanto outras 7,3 milhões iniciaram o calendário vacinal, mas não concluíram o esquema recomendado.

Como consequência, 57 países registraram surtos significativos de sarampo ao longo do último ano.

Brasil está entre os países que mais ampliaram a cobertura vacinal

Entre os 195 países avaliados, apenas 30 conseguiram ampliar a cobertura vacinal desde 2019. Outros 65 permaneceram estagnados ou registraram retrocessos.

O Brasil aparece entre os 17 países que aumentaram em mais de cinco pontos percentuais a cobertura da primeira dose da vacina contendo DTP. Isso entre 2019 e 2025. Do mesmo modo, o país apresentou o segundo maior crescimento no período, com avanço de 19 pontos percentuais, ficando atrás apenas da Líbia.

Brasil supera países das Américas na redução de crianças zero-dose

Na Região das Américas, o Brasil também apresentou desempenho superior ao de diversos países. Enquanto algumas nações registraram queda na cobertura da primeira dose da vacina DTP entre 2024 e 2025. Ou seja, o país manteve a tendência de recuperação da vacinação infantil. Em números absolutos, México (218 mil), Venezuela (185 mil), Argentina (101 mil) e Bolívia (89 mil). Eles concentram atualmente os maiores contingentes de crianças zero-dose na região. O Brasil reduziu esse número para cerca de 50 mil crianças.

Fonte: Da Redação

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